Ricardo dos Santos vai processar polícia de Londres sob acusação de racismo

Atletismo 07-07-2020 08:35
Por Nuno Perestrelo

Ricardo dos Santos, 25 anos, recordista nacional nos 400 metros (45,14 s) vai processar a polícia de Londres após ter sido detido e algemado durante 45 minutos numa operação stop realizada perto de sua casa.


Ricardo e a mulher, a inglesa Bianca Williams, também ela atleta e velocista, saíram sábado de casa com o filho bebé, de 3 meses, e acabaram perseguidos pela polícia; foram retirados do carro e viram os agentes revistarem a viatura, mantendo-os detidos.


«Dois dos meus atletas foram parados pela polícia; conseguem dar-me uma justificação para a polícia deter o condutor, afastar uma mãe do seu bebé e chamar o cão da brigada antidrogas para revistar o carro? Era o carro que era suspeito ou a família negra dentro dele? Como se faz uma acusação de cheirar a droga e depois não se faz um teste?», denunciou Linford Christie, antigo atleta britânico, e treinador da dupla, acrescentando que «foi a segunda vez que isto aconteceu em dois meses». Christie fala de «abuso de poder e racismo institucionalizado.»

 


Apesar de a polícia, após análise de vídeos, garantir não ter havido qualquer abuso de autoridade, Ricardo dos Santos não está convencido. Até porque os agentes usaram bastões para intimidar e retiraram os dois atletas do carro à força, alega.
Acusado de ter fugido e desrespeitado ordem para parar, o atleta que representa o Benfica dá a sua versão dos factos:

 

«Parei o carro quando senti que era seguro fazê-lo. Não demorei mais de 20 segundos desde o momento em que me mandaram encostar. Quando chegaram estavam prontos para bater. Tiraram-me o telemóvel, encostaram-me à parede. Gritei que tinha dores e disseram que eu cheirava a canábis e iam chamar uma equipa cinotécnica». Acusaram-no ainda de estar a conduzir em excesso de velocidade. «Não me multaram sequer. Como sabiam que não tinham nada mentiram», denuncia Ricardo dos Santos, lamentando o tratamento: «Porque estamos a conduzir um carro bom [um Mercedes], acham que temos armas ou estamos drogados.»


«É sempre a mesma coisa. Veem o Ricardo e pensam que ele está a conduzir um carro roubado. Dizem que ele parece alguém que procuram e perguntam como pode ele pagar um carro de 70 mil euros?», denunciou Bianca Williams ao Sunday Times. «É um mundo triste, este em que vivemos. Se não é um homem negro, é outro homem negro. O meu coração está dorido», acrescentou. 

 

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