Jogadoras acusam Ovarense de discriminação, Direção diz que só escolheu salvar o clube

Basquetebol 05-07-2020 00:17
Por Redação

A jogadoras de basquetebol da Ovarense acusam o clube de discriminação de género, pela manutenção de duas equipas masculinas em detrimento da feminina, que renunciou ao primeiro escalão.
 

A Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB) anulou todas as competições em 29 de abril, devido à pandemia de Covid-19, sem títulos nem despromoções, mas Ovarense e Carnide, últimas classificadas da Liga feminina, optaram pela descida.
 

As jogadoras da equipa de Ovar dizem que o clube desistiu do principal escalão para poupar 23 mil euros, desvalorizando uma equipa que, segundo os vareiros, em 30 de abril, «fez história ao atingir a 'final four' da Taça de Portugal», para manter as mais dispendiosas formações A e B masculinas.
 

Das 15 jogadoras da equipa sénior feminina, 11 já confirmaram a saída e, segundo quatro basquetebolistas entrevistadas pela Lusa, isso deve-se, por um lado, à consciência de que «ficar na Ovarense era aguentar mais do mesmo, sem evolução na carreira», por outro à despromoção «totalmente injusta e desmotivante». As gémeas Gabriela Raimundo e Ana Raimundo, ambas bases e duas das melhores jogadoras portuguesas da Liga, estão de saída, tal como Sofia Pinheiro, enquanto a base Bárbara Calvinho admite que, «com toda a gente a sair», não se vê «a ficar numa equipa só com juniores», quando a masculina continua a fazer sucessivas contratações de norte-americanos.
 

As quatro jogadoras reconhecem que a decisão «até se compreende», tendo em vista a sustentabilidade de um clube que a direção diz em «muito débeis condições financeiras», mas confirmam o sentimento de que foram «desvalorizadas enquanto atletas e pessoas», ao longo dos anos. «Para começar, nem nos deram oportunidade de arranjar pelos nossos meios os 31 mil euros que custava ficarmos na Liga. Podíamos ter feito um 'crowdfunding' e se calhar até arranjávamos mais do que isso, para ajudar o clube nas contas gerais», afirmou Gabriela Raimundo, a jogadora portuguesa mais valiosa (MVP) de 2018/19. A irmã Ana, considerada pelo Eurobasket MVP nacional de 2019/20, admite que a hipótese «não interessava». Sofia Pinheiro reforça: «A única coisa em comum com a equipa masculina é o emblema do clube, porque verbas, logística, regalias, apoio, nada disso havia para nós.»
 

«Em vez de nos dispensarem, deviam é apontar-nos como exemplo de luta e resiliência», lamentam as jogadoras.
 

Presidente da Ovarense, Rui Palavra não rebateu os exemplos de desigualdade apontados pelas basquetebolistas, admitindo à Lusa que, no atual contexto, também a equipa masculina «terá razões para críticas se lhe derem oportunidade disso». «Não se tratou de escolher entre homens e mulheres, apenas de escolher salvar o próprio clube», frisa o dirigente, assinalando as «débeis condições financeiras» agravadas pelas quebras de bilheteira e patrocínios motivadas pela pandemia de Covid-19.
 

Com «cerca de 100 mil euros de dívida» acumulada, a direção da Ovarense decidiu poupar para liquidar esses débitos em duas épocas, despedir quatro funcionários para economizar cerca de 60 mil euros por ano, e desistir da Liga feminina, reduzindo o orçamento de 31 para oito mil euros. Rui Palavra assegura que os cortes também afetam os homens, com uma redução do orçamento em 40 por cento mas, mesmo assim, «cinco vezes mais» do que o previsto para a formação feminina. «São eles a gerar a principal receita», frisa o dirigente vareiro, lembrando que os jogos da equipa masculina, quatro vezes campeã nacional, têm receita de bilheteira e assistência média de 1.500 espetadores, ao contrário dos femininos, «gratuitos e com 200 pessoas na bancada».
 

Há um ano na presidência do emblema de Ovar, Rui Palavra reconhece: «Notava-se que havia alguma separação, quase como se as equipas feminina e masculina fossem de clubes diferentes, tentei corrigir isso dentro do possível. Claro que as raparigas prescindirem da Liga não é justo. Ao pensar o clube como um todo, vão haver injustiças e desigualdades, mas isso é a realidade - não vivemos num mundo ideal», defende o dirigente do clube que, num concelho com mais de 55 mil habitantes, conta cerca de 1.700 associados mas apenas 400 pagantes.

 

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