O segredo de Rúben Amorim

Sporting 03-07-2020 15:34
Por Nuno Raposo

Seis jogos, cinco vitórias e apenas um empate, ultrapassagem ao SC Braga no 3.º lugar e aproximação ao 2.º agora do Benfica. De 5 de maio até início de julho Rúben Amorim mudou a face do Sporting, colocou-lhe um sorriso. O segredo do treinador assenta em três pilares que A BOLA lhe conta.

 

Relação com os jogadores

Proximidade. Reside numa relação muito próxima com os jogadores um dos principais segredos do jovem treinador de 35 anos na hora de agarrar o grupo. Conta-nos quem de perto priva com Amorim que também ele faz parte do balneário. Sendo uma pessoa muito bem humorada, brinca com os jogadores, até entra nas suas apostas, mas depois consegue fazer o papel que lhe compete, de treinador, com a máxima responsabilidade e seriedade, de uma forma tão natural que os seus pupilos percebem desde logo onde está a linha divisória. É assim que o técnico começa a conquistar os atletas. Foi assim no SC Braga e está a ser assim em Alvalade, com resultados dentro de campo. Um treinador que sabe brincar quando assim pode ser mas que sabe depois impor-se quando assim te de ser. Um exemplo de como criar empatia num grupo, uma forma de trabalhar que surpreendeu no início mas que agora é de naturalidade extrema dentro da Academia e que ganha pontos junto dos jogadores a cada dia.

 

Mentalidade

Mais um pilar da fórmula Amorim. Um líder nato, natural, que lidera pelo exemplo e não pela imposição à força dos seus métodos e ideias. Mentalidade vencedora é algo que não lhe falta, que bebeu com os melhores e mais ambiciosos treinadores com quem trabalhou e que conheceu na sua carreira de futebolista, e que empresta aos jogadores através da relação que tem com eles e que já aqui explicámos. E essa relação não olha a bilhetes de identidade, à idade ou ao estatuto - que o diga Jérémy Mathieu, experiente defesa-central internacional francês de 36 anos que pôs à prova a liderança de Rúben Amorim e que por isso viu logo um jogo na bancada, tendo percebido a mensagem e ressurgido com vontade, imbuído da mentalidade que o novo técnico pediu: vontade de ganhar, trabalhar e ajudar a equipa e mesmo agora, a contas com lesão que lhe antecipou o final da carreira, é peça presente com o grupo, a sofrer junto dos companheiros, como Amorim pede a todos. Este caso Mathieu, jogador que se recusou a colocar o colete GPS no jogo com o Vitória de Guimarães, serviu também para Amorim provar que a proximidade e a máxima liberdade que permite aos jogadores implica também máxima responsabilidade. E também aqui Rúben Amorim começou a ganhar ainda mais o grupo.

Métodos de treino

Inovação. Os métodos utilizados pelo treinador nos treinos são inovadores e cativadores dos atletas. Amorim é extremamente metódico, é atento ao mais ínfimo detalhe, por vezes até alguns que os próprios jogadores nem se apercebem. Depois usa a simplicidade, faz disso forma de passar a mensagem de melhor forma - e no Sporting isso foi importante na altura de introduzir os conceitos da sua tática, desenhada com três defesas, meio-campo a quatro e três homens na frente, exigente para com os atletas. Rúben Amorim, contam-nos, começou por passar as ideias mais simples, para o grupo as trabalhar durante dois ou três treinos, depois foi aumentando a dificuldade, passando aos conceitos mais complexos, sempre a esse ritmo de dois ou três sessões de trabalho, beneficiando da paragem competitiva, devido à pandemia de Covid-19, que o permitiu. Ou seja, o modelo e dinâmicas de jogo foram sendo introduzidos aos poucos, foram sendo assimilados e o certo é que em campo os leões estão cada vez mais consistentes, até na defesa, sofrendo menos golos relativamente a um passado não muito longínquo. Cada treino criado por Amorim tem um objetivo específico, não se importando o treinador que a sessão dure apenas meia hora se nesse tempo o objetivo for alcançado. Adepto de vídeos e das novas tecnologias, o técnico usa todas as que tem ao seu dispor e tem nos adjuntos, Carlos Fernandes e Adélio Cândido, confiança extrema, tanto que muitas vezes faz apenas de observador. A cargo destes dois elementos, que com ele transitaram do SC Braga, estão as bolas paradas, que tão bons resultados têm dado - seis dos 12 golos leoninos na era Amorim foram nesse tipo de lances, um peso de 50 por cento -, sendo que depois o posicionamento nas transições fica de novo a cargo do chefe de equipa. Um chefe à maneira, mas que exige o máximo para os melhores resultados. Para já, o método Amorim é sinónimo de sucesso.
 

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