Pinto da Costa sobre Lage: «Foi destratado na própria casa»

FC Porto 01-07-2020 15:00
Por Redação

«Nunca tivemos tudo perdido, não temos nada ganho.» É desta forma que Pinto da Costa lança o editorial da revista Dragões do mês de junho. Entre elogios a Sérgio Conceição, o líder do FC Porto não perdeu a oportunidade para deixar uma ‘bicada’ ao rival Benfica a propósito da saída de Bruno Lage.

 

Leia na integra o texto de Pinto da Costa:

 

«Falta um mês para terminar a temporada e o FC Porto mantém em aberto os objetivos de conquistar as duas principais competições nacionais. Sei que muitos, desejosos de que aconteça ao contrário do que apregoam, anunciam aos sete ventos que já somos campeões. Como é óbvio, não alinho nessa conversa. A minha postura é exatamente a mesma que assumi a 25 de janeiro, quando uma infelicidade nos impediu de vencer a Taça da Liga, numa altura em que liderança do campeonato estava a sete pontos de distância. Muitos já nos tinham feito o funeral e consideravam que a nossa época tinha acabado.

 

A minha confiança na nossa equipa e no nosso treinador era inabalável. Sei como é que se trabalha neste clube, com qualidade e dedicação total, e sei bem que esse é o melhor caminho para ter sucesso. Mas também sei que nada está ganho enquanto não está efetivamente confirmado. Como rejeitei o nosso enterro, rejeito qualquer entronização precoce. A necessidade de continuar a trabalhar muito e bem é tão importante agora como em janeiro.

 

Uma das garantias de que o FC Porto pode mesmo chegar onde quer é, como já disse muitas vezes, Sérgio Conceição. Ele tem 45 anos, mas eu já o conheço há mais de 30. É um profissional de excelência, que tem como uma das principais qualidades a enorme exigência que coloca em tudo o que faz. Exige muito dos outros, mas ainda exige mais dele próprio. E é assim como treinador, tal como foi enquanto jogador. Mas há oura faceta que poucas vezes é destacada, até porque o perfil de um portista com sucesso e que não costuma esconder o que lhe vai na cabeça agrada pouco à imprensa que nos odeia: o Sérgio é, acima de tudo, um grande ser humano. E voltou a demonstrá-lo recentemente, quando expressou em público a indignação que sentia pela forma como foi destratado na própria casa um colega de profissão, mesmo sendo um rival com a qual estava a disputar duas competições. E fez muito bem, porque uma coisa é certa: é normal, no futebol, que por vezes as pessoas cheguem à conclusão de que é melhor para as duas partes seguirem caminhos diferentes; mas não é aceitável que profissionais sérios sejam usados como bodes expiatórios de quem precisa de se salvar e coloca sempre os interesses pessoais à frente dos interesses coletivos.»

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