Open de Odivelas passa a bienal e misto

Judo 29-06-2020 08:16
Por Miguel Candeias

Após 13 edições, desde 2006, e 26 pódios da Seleção Nacional na Taça do Mundo de Lisboa, hoje em dia Open Europeu de Odivelas, com alternância do sexo em ação a cada temporada, a principal prova de judo disputada em Portugal e inserida no calendário do Circuito Europeu deixará de ser anual. Passa a bienal, mas destinada simultaneamente a masculinos e femininos.


Começa a partir de 2022 pois, como no próximo ano Lisboa recebe o Campeonato da Europa (20 abril a 2 de maio), a Bulgária, país que alternará o evento, recebe o Open em 2021. «A ideia de mudança do sistema e de a prova ser apenas a cada dois anos não foi nossa, partiu da União Europeia de Judo. Há alguns anos que falavam nisso e procuravam a nossa disponibilidade para alterar, mas sempre mostrámos pouca vontade», começa por contar o presidente da federação Jorge Fernandes quando interrogado sobre a recente mudança.


Prova mantém-se em Fevereiro

 

«Há cerca de duas semanas a UEJ voltou a perguntar-nos, pois desejavam também satisfazer outras federações com estas provas e não existe espaço no calendário. Até porque Portugal é dos países com mais competições. Além do Open Europeu, temos as Taças da Europas de juniores e a de cadetes todas as épocas. Então ofereceram o Open de dois em dois anos, alternando com a Bulgária, mas passando a ser masculino e feminino», revela Fernandes. E quanto à data? «Manter-se-á no primeiro fim de semana de fevereiro», responde de imediato. «Penso que será bom para todos, o mesmo esforço de organização, mas com o dobro de participantes.»


«Acabámos por aceitar - se não o tivéssemos feito manter-se-ia o modelo anterior - mas só o fizemos já porque para o ano teremos o Europeu, inserido nas comemorações de Lisboa Capital Europeia do Desporto, e assim poderemos concentrar-nos exclusivamente no campeonato. Por pura coincidência, em 2022 fazemos nós o Open e a Bulgária recebe [em Sófia] o Europeu. Isto também poderá permitir que, além do Euro de 2021 ir contar para o apuramento dos Jogos de Tóquio, em 2024 venhamos a ter a hipótese de o Open pontuar para os Jogos de Paris». diz. «Pode vir a ser uma boa aposta, sobretudo se a FIJ atendar à pretensão das federações continentais, neste caso da UEJ, que não exista uma diferença tão grande de pontos a ganhar nestas competições para as do Circuito Mundial e no sistema de qualificação olímpico o que motivaria a participação de mais judocas. Porém quanto a isso teremos de aguardar. Até por causa do adiamento dos Jogos de Tóquio», refere o líder da FPJ, que vai recandidatar-se a um segundo mandato.

 

Há algum tempo Fernandes revelara a A BOLA a ambição de trazer para Portugal uma etapa do Circuito Mundial, mais especificamente um grand prix. Esta mudança significará o fim desse desejo? «Não, o sonho mantém-se», garante. «Mas para já vamos ver se a FIJ faz alterações às pontuações nas provas de qualificação da olimpíada de 2024. Só então estudaremos essa hipótese. Não é um sonho difícil de se concretizar e pode demorar mais um ano ou menos um, mas faremos tudo para trazer para Portugal um evento desses. Não sei se haverá desistências, mas estaremos atentos. Se houver oportunidade não iremos desperdiçá-la», declara.


E se conseguir um grand prix significa que desiste do Open Europeu? «Acho que seria sempre bom Portugal ter mais um evento destes. Quer em termos de receitas, turismo como de imagem», concluiu.
 

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