Dopagem mecânica fica por provar

Ciclismo 29-06-2020 10:11
Por Fernando Emílio

Depois de dois anos de investigação, a polícia francesa decidiu encerrar o caso relacionado com os motores ocultos nas bicicletas e denominado por dopagem mecânica. A situação foi espoletada em 2016, quando, no decorrer do campeonato do mundo de ciclocrosse, a belga  Femk Van Den Drirssche foi  apanhada com um motor na bicicleta, situação que lhe valeu ser suspensa por seis anos e perder os títulos de 2015 e desse ano. Em 2018 o amador francês, Cyril Fontaine, com 43 anos, foi denunciado por vencer as provas de veteranos com a ajuda de um motor escondido no quadro da bicicleta, acabando por ser apanhado numa prova para amadores e sancionado pela federação francesa com cinco anos de suspensão.


Com os rumores a eclodirem no pelotão de que poderiam existir nomes sonantes do ciclismo mundial a utilizar motores, principalmente nas clássicas e algumas etapas de montanha, a UCI decidiu através dos seus comissários passar a inspecionar as bicicletas nas principais competições internacionais, antes e depois das corridas através de raios-X e scanners, que não conseguiram detetar qualquer irregularidade.


O inventor dos motores ocultos, o húngaro Istvan Varjas, foi ouvido pela polícia, que chegou à conclusão de que o sistema na prática não existia ou estava longe de poder beneficiar os corredores. Em 2017, o antigo corredor francês Christophe Péraud foi nomeado pelo presidente da UCI, David Lappartient, para liderar uma equipa no combate ao doping mecânico, depois de ter afirmado ter 99 por cento de certeza que existiam motores no pelotão, o que não veio  a confirmar-se, resultando a experiência num autêntico fiasco.
O investimento feito pela UCI em scanners térmicos acabou por não obter os resultados previstos. Depois de o Ministério Publico Nacional de França (PNF) ter encerrado o caso, foi dada por terminada a parceria com a Comissão Francesa de Energia Atómica (CEA) que fabricava os referidos detetores de motores.

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