A procura do “ki” (artigo de Vítor Rosa, 109)

Espaço Universidade 12-06-2020 11:33
Por Vítor Rosa

Os japoneses utilizam muitas palavras e expressões compostas com a palavra “ki”. Alguns exemplos: “está agradável”, referem que “o ki mantém-se bom”; “está bom tempo”, dizem “o ki do céu é bom”; “ter força de caráter”, sublinham “ter o ki forte”. “Ele é uma evidência, que escapa a uma reflexão especulativa. O ki é como o ar”, como refere o sociólogo japonês Kenji Tokistu, no seu livro “La recherche du ki dans le combat” (2004, p. 8). Encontra-se omnipresente na vida quotidiana nipónica, mas, se lhes perguntarmos, muitos não sabem explicar claramente o que significa. O “ki” é uma forma linguística aplicada a um fenómeno energético universal. Para um espírito racional, é difícil admitir os fenómenos do “ki” e a sua existência. Não se vê. E se não se vê como é que é possível ter critérios objetivos para sensações subjetivas? O único instrumento é o corpo humano. E este difere nos indivíduos. Assim sendo, o método científico (com os critérios de cientificidade proclamados por Popper) não se aplica aqui. Comecei a praticar karaté, estilo Shotokai, com 14 ou 15 anos de idade. Mantive-me nesta prática, com algumas interrupções, até aos 38 anos de idade. Conheci vários mestres/instrutores ou, numa linguagem mais desportiva, treinadores. Questões profissionais, levaram-se a afastar progressivamente do exercício do combate. Durante muitos anos ouvi falar do “ki” e da sua importância para se praticar uma arte de combate com eficácia. E isso requer uma atitude de abertura intelectual. Aquele que se obstina a negar a existência do “ki” não poderá explorar este domínio. E sabemos o quanto ele é importante na medicina chinesa, que procura curar o corpo físico a partir do corpo energético e vice-versa. O homem concentra em si múltiplas tensões: angústias, invejas, desejos, ódios… estas tensões são uma causa de stresse, que amplifica o efeito de poluição interior. O que se passa no espírito reflete-se no corpo e as tensões mentais tornam-se as causas de problemas somáticos. Muitos mestres de artes marciais e desportos de combate recomendam exercícios para a livre circulação do “ki” no corpo. O estado ideal é que ele circule livremente, sem nenhum obstáculo. O “ki” positivo é assimilado a uma energia criadora, de nascimento e de vida. O “ki” negativo é a energia da destruição, da deterioração, da morte. O “ki” negativo é associado ao mal e o “ki” positivo é associado ao bem. Na elaboração do conceito de “ki”, os indivíduos dão-lhe um sentido. Mas, esta energia, que faz parte do Universo, não é boa nem má.

 

Vítor Rosa

Sociólogo, Doutor em Educação Física e Desporto, Ramo Didática. Investigador Integrado do Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento (CeiED), da Universidade Lusófona de Lisboa

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