«Estranho esta nova normalidade»

Atletismo 01-06-2020 09:41
Por Cipriano Lucas

Samuel Barata esteve dois meses sem chegar perto de uma pista de 400 metros. Entretanto, com a abertura do Centro de Alto Rendimento do Jamor, o fundista campeão nacional de estrada já regressou ao contacto com o seu treinador, Pedro Rocha, com o grupo do Benfica e aos locais de treino ainda a tempo de voltar a sonhar com uma presença em Tóquio 2021.

Por pouco não ficou retido no Quénia quando realizava um estágio em altitude. Apanhado pelos primeiros dias do confinamento, o benfiquista só teve tempo de despachar as malas e adiar o sonho de uma participação olímpica na maratona. O mundo parou com o Covid-19 e com ele os atletas de alta competição foram os primeiros a encerrarem-se em casa. Os Jogos foram adiados para 2021 e todas as competições foram canceladas em 2020 mas «os atletas de alta competição não podem parar», lembra o atleta.


«Estive quase sempre em casa desde 15 de março. Só sai para correr, sempre sozinho, onde vivo, na região de Tires, Manique, Alcoitão, uma zona rural. Só em meados de maio, pela primeira vez em dois meses, pude regressar ao grupo de treino, mantendo as devidas distâncias e cuidados. Temos procurado treinar em diferentes locais, mas sempre fugindo a aglomerações de pessoas e ao contacto, evitando que algum de nós fique contaminado», principou por dizer o fundista nascido na Suíça, filho de emigrantes que regressaram a Portugal, e a Bouça na Covilhã, quando este tinha 10 anos.

«Estamos a treinar com as normas de segurança, realidade que será mantida nos próximos meses, até à vacina surgir. Penso que os desportistas têm de dar o exemplo», acrescenta o estudante de Química, para atirar de seguida: «Como não temos competições agendadas, o objetivo é recuperar as rotinas de treino, ainda sem a preocupação de ritmo de competição. No fundo é voltar à tão falada normalidade.»

Ainda assim, Samuel Barata entende que já não vai ser uma época normal. «É estranha esta nova realidade, mas temos de a aceitar. Há muitos atletas que decidiram tirar férias agora. Mas nós vamos procurar construir a forma física e depois de agosto e setembro começar a competir, caso surjam provas. Julgo que até outubro possam surgir competições», acredita o pupilo de Pedro Rocha, que a partir de hoje já pode voltar à pista do Jamor, aberta que passa a estar a frequência de todas as instalações a atletas federados e à população.

«Até ao momento nem todos os atletas podiam utilizar a pista do Jamor. Só os da Preparação Olímpica (Prepol) e nível 4. O grupo com acesso era muito restrito. O objetivo é voltar a treinar em pista, onde fazemos os treinos mais específicos.»

O fundista aceita de forma tranquila estas medidas restritivas. «Penso que é correto. Menos atletas presentes nas pistas é bom, mas há o reverso da medalha que é limitar os treinos a muitos atletas que ainda não fizeram mínimos para os Jogos de Tóquio, mas que irão fazer. Nós fundistas podemos correr em qualquer lado, já as disciplinas técnicas é complicado.»
futuro preocupante

O fundista teme o impacto negativo que esta paragem irá ter no atletismo em geral. «Há uma grande incerteza no futuro quanto ao atletismo que vive dos clubes de futebol, onde houve cortes, não receberam subsídios e não se sabe o futuro, se vão ou não manter o atletismo. É preocupante. No Benfica temos uma boa estrutura e, portanto, tudo bem, mas os outros clubes não sei. Isso pode levar ao desinvestimento. Não sabemos o que vai ser do futuro no atletismo.»

Leia a entrevista completa na edição impressa do jornal A BOLA desta segunda-feira

 

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