Hugo Almeida recorda o melhor golo da carreira, num estádio histórico mas… sem público (vídeo)

Futebol 30-05-2020 15:23
Por Mário Rui Ventura

Milão, 1 de novembro de 2005. O FC Porto chegava ao Giuseppe Meazza, casa do Inter, depois de ter derrotado o gigante italiano (2-0) no Dragão, no grupo H da Liga dos Campeões, naqueles que eram os primeiros três pontos dos azuis e brancos face às derrotas com Rangers e Artmedia. E tinha ali uma vantagem… teórica: o Inter cumpria o terceiro jogo de castigo imposto pela UEFA e recebia o FC Porto à porta fechada, tal e qual como veremos, a partir de 3 de junho, o futebol português.

 

Aos 15 minutos desse jogo, com bancadas despidas, algo de marcante aconteceu. Golo do FC Porto. Mais do que o golo, o autor: Hugo Almeida. E mais do que o autor, a forma como o fez.

 

«Foi uma falta a 30 ou 40 metros da baliza [de Júlio César, ex-guarda-redes que também jogaria no Benfica]. Eu tinha 21 anos, era um dos primeiros jogos que fazia na Liga dos Campeões e estava naquele estádio histórico. Estava no auge da confiança e pedi a bola ao Quaresma, era ele que ia marcar. Mal rematei percebi que tinha pegado muito bem na bola e vi logo que ia na direção da baliza, só não sabia que ia entrar ao ângulo. Com o estádio vazio ouviu-se tudo e antes da bola entrar já estava eufórico porque percebi que ia ser golo. Foi um ato de fé, achava que podia fazer qualquer coisa mas nunca um golo daquela maneira. Foi um sentimento agridoce porque marquei o melhor golo da minha carreira e não estava ninguém na bancada para o testemunhar», recorda Hugo Almeida, hoje com 36 anos e já retirado, que lamenta também o jogo ter acabado por resultar numa reviravolta do Inter, nos últimos minutos: 1-2.

 

«Não é a mesma coisa que jogar com público. Esqueçam isso. É como um jogo de pré-época, sente-se a cada momento que falta algo. É sempre complicado mas teve de se fazer. A verdade é que a minha alegria daquele golo superou a tristeza», vinca o antigo avançado internacional português, que não tem dúvidas no principal aspeto que deve ser levado em conta pelas equipas portuguesas na preparação para a retoma do campeonato:

 

«É preciso estar muito mais concentrado, com níveis mais elevados e psicologicamente focado naquilo que está a acontecer. Tens de ter uma força mental muito forte para lidares com jogos consecutivos sem público. Não é nos grandes jogos que tens de o fazer, é sobretudo com equipas inferiores. Porque nos jogos grandes não é preciso que ninguém nos motive ou diga que temos de estar concentrados ao máximo.»

 

Daí que, para Hugo Almeida, o facto da época se completar com jogos à porta fechada pode ser motivo para mais surpresas em termos de resultados: «As equipas pequenas podem ganhar mais força. Aquilo parece um jogo-treino. E ir a um estádio de um dos grandes, sem sentir aquela pressão dos adeptos, consegue-se às vezes surpreender.»

 

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