Esteve no Benfica mas foi dispensado porque era... muito pequeno

SC Braga 24-05-2020 11:27
Por Irene Palma

Em entrevista a A BOLA e A BOLA TV, o central David Carmo, de 20 anos, fez uma retrospectiva da carreira e falou sobre a passagem pelo Benfica, quando tinha 12 anos. 

Passou dois anos na formação do Benfica. Qual a razão para a dispensa?
Não estava a dar os resultados que eles queriam. Na altura em que me dispensaram disseram: ‘Tu és um jogador de futuro’. Eu tive um crescimento atrasado em comparação com os outros e não conseguia jogar no campeonato nacional de iniciados.Na altura fiquei muito triste. Foi o primeiro impacto negativo que tive na minha vida, mas assumi isso e, principalmente com a ajuda do meu pai, tentei transformar essa dispensa numa coisa boa. Levar esse ensinamento para a vida.

Saiu do Benfica porque era pequeno?
Sim. Na altura foi essa a razão que me deram. Hoje é um bocado estranho, pois tenho 1,96 metros... mas na altura era pequeno. Consegui ultrapassar esse momento e fiquei mais perto da minha família e estive dois anos em dois clubes de Aveiro que me ajudaram muito a crescer.

Mas como foram esses dois anos de Benfica?
Eu tinha 12/13 anos. Foi muito difícil para os meus pais deixarem-me sair de casa com essa idade. Eles iam de duas em duas semanas a Lisboa ver os jogos e dou-lhes muito valor, pois sei as dificuldades que passaram. A primeira vez que vi o meu pai chorar foi quando me deixou no Benfica. Foi difícil. Liguei várias vezes ao meu pai a chorar. O meu pai ia ter comigo, mas a mensagem que me passava era que eu tinha de viver aquelas dificuldades para crescer e ser uma pessoa melhor. Esses dois anos foram bons, vivia na academia e tinha um grupo de amigos muito bom. Passámos tempos muito bons e ganhei amigos para a vida. Eu era da equipa do Florentino, do Jota e do Gedson. Penso que o meu problema possa ter sido focar-me mais nisso e menos no futebol. Quando ingressei no SC Braga também ia ficar fora da família, mas já tinha essa aprendizagem de antes, o que facilitou muito o meu trajeto.

Já falou com alguns desses amigos que deixou no Benfica sobre essa dispensa pela altura?
No meu primeiro ano de SC Braga fomos jogar ao Benfica no campeonato nacional de juvenis e nunca mais me vou esquecer da reação deles quando me viram, pois já tinha crescido muito.

O facto de o pai ter sido jogador de basquetebol ajudou a passar por todas essas situações?
O meu pai nunca pôs em causa eu jogar bem ou mal, o que sempre fez é o que ainda faz. Quer saber se eu me sinto bem e feliz. E está sempre a dizer para não me aleijar. Ainda hoje ele me diz isso, mesmo eu estando a jogar na Liga. Ele foi um pai novo e sempre andou comigo para todo o lado. As nossas viagens de carro eram passadas a falar do desporto e das dificuldades e de como as ultrapassar. Foi muito duro, mas isso preparou-me melhor para os desafios da vida. O meu pai é o meu herói.

Como foi sair do Benfica e ir para o Anadia?
Fui porque adorava o grupo e conhecia o treinador, Pedro Alegre de Aveiro. Mas só estive lá seis meses, pois tinha muitos custos. Ia de comboio para os treinos. Regressei ao Beira-Mar e fiquei mais perto de casa. Na época seguinte fui para a Sanjoanense, o treinador Ricardo Pinheiro conseguiu reunir os melhores jogadores da zona e fizemos uma época incrível.
Não perdemos num jogo nessa época. Eles prometeram-me transporte
para os treinos.

Como surgiu a proposta do SC Braga?
Lembra-se de eu lhe ter dito que o Benfica quando me dispensou disse que eu seria um jogador de futuro? Pois. Na altura em que surge o Braga o Benfica também me tinha ligado. Lembro-me perfeitamente… Estava em casa e o meu pai estava ao telemóvel a falar com o responsável do Benfica e disse-me diretamente que queriam que eu fosse para lá. Eu já sabia do interesse do Braga, mas não tinha nada acordado, e senti que não queria ir para o Benfica. E assumi que preferia ir para o Braga. Na altura os meus colegas acharam a minha decisão muito estranha e até estúpida. Mas eu deixei-me levar pelo que estava a pensar e valeu muito a pena a decisão. Receberam-me muito bem na residência do clube. Vivíamos lá 30 ou 40 jogadores e, ainda mais do que no Benfica, ganhei amigos para a vida toda.

Com que sonhos chegou a Braga?
Só há dois anos é que comecei a meter na cabeça… Eu sempre vivi o momento e não pensava muito no futuro. Para ser sincero eu nem acreditava muito nas minhas capacidades. Quando me estreei na Seleção Nacional é que percebi que realmente as coisas podiam acontecer.

Foi ser Campeão da Europa de sub-19 que o fez olhar para o futebol de outra forma?
Sim, sim, claro. Na verdade eu só comecei a jogar no campeonato nacional em juvenis. Ser Campeão da Europa fez-me perceber o que realmente é o futebol e o que poderia conseguir atingir. O bom que é ter conquistas... percebi isso. 
 

Leia mais na edição impressa do jornal A BOLA deste domingo 

Ler Mais

A PAIXÃO CONTINUA EM CASA


O momento particular que vivemos determina a permanência das pessoas em casa além do fecho de todas as lojas comerciais alterando dramaticamente os hábitos das pessoas no que toca à leitura e ao acesso à informação.

Neste momento de grandes dificuldades para todos, estamos a trabalhar a 100% para continuar a fazer-lhe companhia todos os dias com o seu jornal A Bola , o site ABOLA.pt e no canal A Bola Tv.

Mas este trabalho só vale a pena se chegar aos seus clientes de sempre sem os quais não faz sentido nem é economicamente sustentável.

Para tanto precisamos que esteja connosco, que nos faça companhia, assinando a versão digital de A Bola e aproveitando a nossa campanha de assinaturas.

ASSINE JÁ

Comentários (20)

Últimas Notícias