O impacto financeiro da pandemia nos três 'grandes'

Futebol 31-03-2020 10:59
Por Pedro Soares

O Covid-19 é bomba que terá efeito retardado mas prolongado na economia global e no nicho do futebol por ainda não ser possível estimarem-se os prejuízos totais. Serão avultados, disso restam poucas dúvidas. A questão será perceber quantos zeros terá a fatura, sabendo-se neste caso que tempo é dinheiro e que quanto mais tudo isto se prolongar... pior os efeitos.

 

O problema para os clubes não se limita às receitas do lado da televisão, bilhética, patrocínio ou merchandising, mas também ao valor das respetivas carteiras de futebolistas. E foi neste último aspeto que incidiu o estudo apresentado segunda-feira pelo Observatório do Futebol  Europeu (CIES), que calculou as primeiras estimativas do impacto da emergência do novo coronavírus nos valores dos jogadores e dos plantéis das ligas do top-5 europeu - Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França -, isto no cenário de não haver mais competição, nem renovações de contrato até 30 de junho.

 

As conclusões são brutais: apontam para perdas médias de 28 por cento. O CIES calcula que o Covid-19 irá varrer €9,3 mil milhões do valor total das 98 equipas do top-5, que cairá dos €32,7 mil milhões para os €23,4 mil milhões.

 

E em Portugal, como será? O economista e professor catedrático João Duque, antigo presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), fez para A BOLA exercício com base no valor dos plantéis de Benfica (331,5 M), FC Porto (268,4 M) e Sporting (120,2 M) constantes no site transfermarkt. Depois, a partir do estudo do CIES, aplicou, primeiro, a menor desvalorização percentual.

 

«Tendo em conta o valor mínimo encontrado nos 98 clubes do estudo, os 16,7 do Stade Brestois, o Benfica perderia 55 M, o FC Porto, 45 e o Sporting, 20», calculou. Perdas agregadas, portanto, na ordem dos €120 M. Mas podem ser bem mais elevadas e chegar a total de €200 M. Isto tendo por base a média da desvalorização entre clubes com plantéis de valor similar aos dos três grandes.
 

Vejamos o caso do Benfica: no estudo do CIES, há dez clubes com plantéis avaliados entre os 300 e os 370 M e a média de perdas de todos é na ordem dos 26,6 por cento, pelo que as águias, aqui, desvalorizariam €87, 6 milhões.
 

Pela mesma ordem de ideias, o FC Porto, atendendo ao valor atual do plantel, perderia 28 por cento do total, ou seja, €75 M, praticamente a verba que estava obrigado a fazer na janela de transferências do próximo verão.
 

No caso do Sporting seriam 26,5 por cento, ou seja, 31,8 M.  No total, desvalorização agregada de 200 M. Panorama negro para João Duque.

«Admitindo que o critério seria o mesmo [do estudo do CIES], quem tem 300 milhões de ativos leva uma pancada de 90 M! Isto faz mossa, é brutal. E estamos a falar de 30 por cento de queda em média. Nalguns casos poderá ser mais, noutros menos. Tudo é feito na base de que a época corre e se a época não corre...», sublinhou João Duque a A BOLA.

 

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