«Fez-me confusão o Inter pagar 40 milhões para depois me tratar de forma desprezível»

Entrevista 23-02-2020 10:21
Por Miguel Mendes

João Mário é um caso raro no futebol. Quando está em campo transmite uma ideia firme a quem o analisa. Dá a entender que até poderia ser um futebolista banal que não passaria despercebido. Pela sua serenidade, respeito pelo adversário, a forma subtil como toca e transporta a bola, tudo parece feito com uma inteligência acima de todos os outros.


Longe vai o tempo em que começou por dar os primeiros pontapés numa bola, com a camisola do FC Porto, tentando seguir a sua principal referência: o seu irmão e o bem conhecido Wilson Eduardo, atualmente no SC Braga.  Percorreu depois todos os escalões de formação, nas seleções jovens e no Sporting, com o estatuto de capitão. Chegou à equipa principal e de lá saiu pela porta grande. Como campeão Europeu de seleções em França e uma transferência recorde de um jogador português na altura: 40 milhões e uma bagagem carregada a ambições para o futebol italiano. Que depressa se transformaram em pesadelo e naquele que classificou como «pior período da carreira».


Por razões que fogem do rendimento desportivo e que explicou a A BOLA e A BOLA TV em Espanha, local onde o Lokomotiv de Moscovo, o projeto encontrado para manter vivo o sonho da Seleção e onde conseguiu esquecer tudo o que viveu no Inter, assumindo que gostava de ser futebolista sem ter a vida de um futebolista.


«Gostava. O que não faço por ser futebolista? Não deixo de fazer nada, mas sei que tenho de ter um cuidado redobrado, ter redes sociais, e olhe que não sou grande fã disso. Mas gostava de ser jogador de futebol sem a parte chata do mediatismo», traçando algumas diferenças: «Em Itália ou Portugal era impossível, mas quando estive em Londres, devido ao trânsito da cidade, andava de metro para ir aos treinos do West Ham. Estar lá ou não estar era igual. Ninguém me reconhecia. Era espetacular. Em cidades grandes como Moscovo ou Londres, com mentalidades em que o futebol não é tão quente, podemos fazer uma vida relativamente normal.»
 

João Mário voltou, então, aos tempos no Inter: «Tinha um ótimo contrato. Mas estava numa situação extremamente negativa em Itália, treinava à parte, sozinho com o Icardi, ou seja, estava afastado, sem preparação. Não entendo a posição do Inter em não me deixar treinar, participar em jogos de preparação, mas é como tudo...  fez-me confusão como um clube paga 40 milhões por um jogador e trata como se fosse um miúdo da equipa B ou dos juniores. Trata de forma tão desprezível… Na altura foi a equipa que preencheu todos os requisitos que o Sporting queria. Não era fácil negociar com Bruno de Carvalho! Mas acima de tudo saí no ano certo, no ano que devia sair. Encontrei um clube menos estável que o Sporting. Muita confusão, troca de treinadores, uma época muito mal preparada, uma mistura de muita coisas. Tenho pena que tenha acontecido muito mais coisas fora do campo do que dentro do campo.»

 

 

Leia na íntegra na edição impressa de A BOLA. Pode assistir à entrevista a partir das 14.20 horas em A BOLA TV.

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