Porquê o fetiche Lukasz Fabianski

O Mundo dos Guarda-Redes 13-02-2020 18:37
Por Roberto Rivelino

Enquanto Mauricio Pellegrini não se poupou nas palavras para justificar que a sua saída do West Ham também estava relacionada com a performance menos conseguida de Roberto Jímenez, Bruno Lage voltou a falar em Lukasz Fabianski – que seria o titular absoluto dos Hammers não fosse o contratempo de uma lesão -, como o reforço pedido à direção do
Benfica.

 

Entrando no espaço de opinião, Lukasz Fabianski seria um valor de potência parecida e com o impacto semelhante ao das chegadas de Peter Schmeichel, Michel Preud’Homme ou Iker Casillas a Sporting, encarnados e FC Porto – refiro isto sem entrar em comparações e juízo de valor (estes três são nomes eternos, enquanto o polaco é um performer de nível e por aí se ficará).

 

Bruno Lage trabalhou com Fabianski no Swansea e percebe a importância de escudar o rendimento dos elementos dianteiros à área defensiva com um guarda-redes deste galore – ex-Arsenal (onde o rendimento não foi desejável), e com competitividade de Premier League. Não sendo um guarda-redes global – ou seja, tremendamente capacitado em todos os
momentos de jogo -, consegue estar presente nos momentos importantes ao longo da temporada, com números reduzidos na categoria ‘erros com golo sofrido’ e acrescidos na referente a ‘defesas que valem pontos’. À memória pessoal, de forma indissociável, surge o que fez no Europeu de 2016, onde mostrou a essência do seu jogo: autoridade em contextos
que exigem um guarda-redes dominador do espaço aéreo e que respalde as costas da defesa sem se expor demasiado na profundidade.

 

A clareza com que Bruno Lage fala em público sobre o dossiê guarda-redes (e o que pretende), deixa antever que Odysseas Vlachodimos, Ivan Zlobin e Mile Svilar estão a par daquilo que é preconizado. Percebe-se na desenvoltura do rendimento do primeiro (já aqui abordado na semana anterior), e na própria envolvência deste, algo referido aos microfones no mesmo
momento: «olhamos para o Ody de forma completamente diferente em termos de construção e também teve crescimento a sair dos postes».

 

A forma natural como este fetiche por Lukasz Fabianski é abordado acabou por terminar com a valorização da progressão de um guarda-redes que é ofuscado pelo valor convencional de quem joga à sua frente, sendo – já ligando a lanterna para outras áreas -, um claro sinal daquilo que o treinador também procura para o clube: uma árvore de raiz segura, que faça com que outras lhe sigam o caminho e que na caminhada não tombe perante as rajadas de vento. Como quem não constrói a casa pelo telhado, esta sensibilidade devia ser arrastável país fora – de treinadores a dirigentes, observadores, adeptos…

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