Controlo, inteligência, emoção

O Mundo dos Guarda-Redes 13-02-2020 18:27
Por Roberto Rivelino

Entre várias históricas vividas no futebol e fora dele, Joey Barton escreve na sua autobiografia ‘No Nonsense’ de como se aproximou de Peter Schmeichel, a medo e com este deitado na marquesa a tratar de uma contratura, para lhe perguntar como este ultrapassava os erros no relvado. Então com dezassete anos, ouviu o dinamarquês explicar que não tinha um jogo mau há quatro anos e que sabia que tinha errado várias vezes em vários encontros… contudo, tinha um método: dividia a sua performance por cada cinco minutos em campo e estabelecia que os cinco minutos seguintes teriam de ser melhores que os anteriores, independentemente do que acontecesse previamente. Parece obsessão competitiva, mas é, no fundo, uma prova de inteligência emocional e uma crença que deve estar inerente ao guarda-redes e à pessoa que
representa a posição.

 

No fim-de-semana de futebol que terminou, podemos ver oscilações várias em diversos guarda-redes: a encabeçar a lista encontram-se Pau López e Thomas Strakosha no derby de Roma (1-1), enquanto por cá podemos encontrar o caso específico da exibição de Amir Abedzadeh na derrota do Marítimo frente ao Sporting (1-0).

 

Num primeiro momento de ameaça do adversário, o guarda-redes iraniano não conseguiu deter com qualquer capacidade um livre cobrado por Bruno Fernandes (sem exigência de maior): ao tentar bloquear a bola, viu esta resvalar-lhe nas mãos e quase entrar na baliza – foi ao lado (diga-se, por sorte – se ela existe). Como consequência, desde aí não evidenciou a
acutilância de movimentos que lhe pode ser gabada. Com os pés procurou implementar o seu à vontade, mas nas decisões procurou encontrar qualquer alimento para conseguir mais e melhor. Precipitou-se numa saída a um cruzamento – o lance culminou em golo posteriormente cancelado pelo VAR -, e depois abandonou a baliza para abordar um lance de
um adversário que já fugia sem ângulo (acabou por defender, antecipando-se à decisão).

 

Conseguiu terminar o encontro com uma intervenção que disputou a eleição da defesa da jornada, mas na retina ficou a oscilação da qualidade das suas decisões, quiçá, despoletada pela primeira abordagem menos segura num lance de diminuída dificuldade – o tal, face a Bruno Fernandes.

 

Quando se procura um guarda-redes para resolver problemas – atenção, este jogo é apenas um exemplo -, procura-se alguém equilibrado e que possa emitir sinais de tranquilidade a partir da baliza. Peter Schmeichel tinha o seu método e tornava-se maior que qualquer remate – os resultados dispensam apresentações.

 

Um plus para Espanha
Granada CF: clube que com a contratação de João Costa tem agora na sua baliza dois guarda-redes portugueses – Rui Silva é titular. Poderia enquadrar-se n’A Bola de Chumbo, mas não: de cómico não tem nada. O clube espanhol tem mais guardiões nacionais que Aves, Benfica, Boavista, Famalicão, Gil Vicente, Guimarães, Marítimo, Portimonense, Porto, Setúbal…

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