Jesus é mafarrico na Luz (artigo de Joaquim Queirós, 11)

Espaço Aberto 10-08-2015 23:57
Por Joaquim Queirós
Uff! Calor que chegou e sobrou!

As terras algarvias foram espaço pequeno para tanta gente. Uns na água, outros a nadarem em cerveja e a driblarem o marisco, outros ainda na maré alta da sardinha assada. Era gente de todos os cantos da Europa, mas sobretudo de todos os pontos do nosso Portugal. Benfiquistas desconfiados, sportinguistas mais crentes em Jesus. Mas também lá estiveram portistas, entre os quais o nosso amigo Pires, que tendo dado uma saltada ao Porto para ver o seu “dragão” ganhar aos italianos, voltou para Albufeira para junta da família e dos compadres que vieram de França, não muito contente com o empate e com a convicção, diz ele “que a equipa do Porto é areia de mais para a camioneta do seu treinador”. Ele lá sabe.

O que mais interessava era o encontro combinado entre o Botas e o Solha, logo após o jogo, à volta dumas “loiras” com umas percebes. O jogo já lá ia, mas ainda se conhecia no comportamento de ambos, pois enquanto o Solha bebia uma caneca, o Botas bebia meia e parecia falar sozinho.

• Deixa lá isso - atirou-lhe o Solha, esguichando uma percebe para a camisola verde e branca. Nós ganhamos bem e vocês precisam que o Gaitan não tenha medo de aleijar e perder o “cacau” da sua vida.

• Conversa, camarada, conversa - ripostou o Botas. Afinal o Jesus tinha razão, não se enganou, pois o cérebro que ele disse sempre estava do do outro lado, mas na cabeça do árbitro. Foi uma jogada de Jorge para Jorge. Aquele penalty sobre o Gaitan até o meu vizinho, filho do meu barbeiro, que vê mal, via. O Proença já está a funcionar.

• Não tens razão, já começais a ver fantasmas. E o nosso golo anulado?

• Isso foi para nos enganar. O recado já estava dado. Mas o Rui tem também de trabalhar.

• Quem o Rui Vitória?

• Não lhe chames Vitória, por agora. Só lá mais para diante...

E a conversa ficou por ali, já que pela esplanda irrompeu uma cambada de gente com sede de goles e outra com sede de golos. Na TV via~se o Octávio Machado aos saltos, mais parecendo um bombeiro de Palmela a atacar um incêndio de...entusiasmo. De Bruno Carvalho nem o cheiro, enquanto o Jesus tinha de acalmar o Jonas que não gostou do cumprimento nas contas…

Num ápice tudo em volta ficou mais calmo. Amanhã é um dia de trabalho para a maioria e o continuar do ripanço para muitos. O calor continuará, no tempo e na temperatura clubista. Durante a semana esquece-se a discussão dos cartazes do PS, os benfiquistas vão malhar no árbitro e esperar que à Portela de Sacavém chegue mais um craque de segunda, com os sportinguistas já a pensar que este foi o primeiro título de mais três que virão por aí.

O Pires, desconfiado do seu “dragão”, começa a olhar de lado para o seu recente amigo “leão”, enquanto o Botas faz contas à vida e tem esperança que a “águia” ainda consiga voar este ano, e o Solha, embora acredite que este ano é que vai ser tudo raso, a verdade é que, a seguir, vem aí os russos.

Quer dizer, Jesus continua bendito, mas cada vez mais mafarrico na Luz.

Joaquim Queirós, jornalista, foi diretor de O Comércio do Porto e da Gazeta dos Desportos
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