A bola é do povo (artigo de Joaquim Queirós, 9)

Espaço Aberto 03-08-2015 19:19
Fiquei muito feliz por me ter sido permitido gozar o privilégio de ter este cantinho para escrever no jornal desportivo, o qual sempre ganhou o campeonato do meu agrado nas discussões das coisas do desporto e, sobretudo, do futebol. “A Bola”, para mim, rolou sempre no meu contentamento.

Houve só um momento em que tive de deixar parar o relógio da minha afeição pelo jornal da Travessa da Queimada, entregando-me, por convite, a um projecto arrojado do surgir de um outro jornal - Gazeta do Desportos -, investimento de gente nortenha, entusiasmada pelo saudoso dr. Américo de Sá, à data presidente do FC Porto.

Fui encarregado de conseguir um director e sempre pensei no consagrado José Alves dos Santos, o qual não aceitou, mas indicou Alfredo Farinha, nome grande de “A Bola”, que também viria a dizer que não, resultando que eu não tivesse outra solução que não tivesse, durante dez anos, aguentar a missão.

Uma tarefa que amei e que pena tive que não se mantivesse no universo da comunicação social desportiva.

Tive oportunidade de viver Lisboa e ter comigo muita gente boa e que hoje ainda são referência nacional como jornalistas e comentadores. Jamais esquecerei a amizade e aprendizagem que angariei no convívio com nomes como Vítor Santos, Carlos Pinhão, Aurélio Márcio, Homero Serpa, Silva Resende, Neves de Sousa, David Sequerra e tantos outros.

Pois, por tudo isto, embora haja a minha satisfação pelos quase 2.000 caracteres que vou publicando, já não me sinto bem no falar de cátedra, do escrever “à senhor director”) como os companheiros desta secção, entre os quais o meu bom amigo prof. Manuel Sérgio. Daí que pretenda, se o chefe Fernando Guerra o permitir e o director Vítor Serpa aceitar, doar este espaço ao Botas, benfiquista mais vermelho que o encarnado da camisola e senhor de bicadas mais afiadas do que a águia Vitória no pedaço do bife, depois do habitual vôo triunfal na Luz; também dar a oportunidade ao Solha para lançar os seus gritos leoninos como os que costuma dar na bancada de Alvalade quando o Slimani faz golo ou o Jesus muda de chiclet; e permitir, igualmente, que o Pires, portista já antes de nascer, flamejante como o dragão, possa incendiar a discussão de chama acalorada da malta capitaneada pelo Fernando Madureira, mais conhecido pelo “macaco”. O Pires que nunca se engana a pronunciar o nome do treinador Lopetegui.

É que, agora, que a bola já começa a rolar, com os benfiquistas inquietos com as derrotas do Vitória e com o azedo da saída de Lima e outros que se anunciam, ainda por cima com Luís Filipe Vieira sem querer procurar a perdida chave do cofre; com a alegria esbaforida dos sportinguistas, que cada vez mais acreditam em Jesus; e a intensa fé, azul do céu, do exército do “general” Pinto da Costa, há mais que motivo para aqui trazermos o eco daquelas personagens e da legião que os acompanha.

Queremos a voz ao povo. Queremos a ser ele a dizer da sua razão. Pois o povo é que faz o futebol.

Joaquim Queirós, jornalista, foi diretor de O Comércio do Porto e da Gazeta dos Desportos
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