Bola ao ar dr. Proença (artigo de Joaquim Queirós, 8)

Espaço Aberto 30-07-2015 17:45
Por Redação
Não conhecemos, pessoalmente, o novo presidente da Liga dos Clubes Profissionais de Futebol. Sabemos que foi considerado um dos melhores árbitros internacionais e, segundo, também, pelos opinadores e pomposamente técnicos na interpretação das regras da modalidade.
Confessamos que nunca o vimos actuar ao vivo, mas somente pela TV. Gostamos muitas vezes, mas também houve oportunidades em que ficamos a duvidar que ele fosse o melhor.

De nariz empinado, abrilhantinado no cabelo, passo de bailarino clássico e um sorriso que nunca se sabia a proveniência do mesmo…

Ao vê-lo e ao ter de colocar os olhos nos adjectivos elogiosos que muita gente lhe dedicava, lembrava-nos doutros que não ficaram a dever nada ao senhor doutor, esses que vimos actuar e até tivemos oportunidade de lhes apertar a mão, tais como Francisco Guerra, Clemente Henriques, Joaquim Campos, Carlos Valente e alguns (poucos) outros.

Este, dr. Proença, que pousou o assobio muito recentemente, cedo, muito cedo, mostrou qualidades para procurar um palanque no futebol, O italiano Colina, capataz dos árbitros europeus, parece ter-lhe prometido um lugar nos gabinetes que tudo sabem e tudo fazem para que nem sempre o mundo da arbitragem corra nos trilhos sem descarrilar. E conseguiu, embora talvez sem os focos de luz que Proença desejava,
Surgiria, depois, a surda luta com o mundo dos árbitros até há pouco tempo seus colegas portugueses. E a mesma estava para continuar, quando, por encanto, surgiu uma das habituais ideias luminosas de Pinto da Costa, logo agarrada por Bruno de Carvalho, assessorados por Joaquim Oliveira a proporem para sucessor de Luís Duque, um presidente que vinha a fazer uma obra louvada, mas que sofria do peso dos seus múltiplos problemas disciplinares com o seu clube de afeição e outras anomalias do seu tempo de autarca. Mesmo assim, Luis Filipe Vieira e o seu congénere do Sporting de Braga, decidiram não deixar perder a obra que Duque tinha vindo a consolidar. Mas de nada valeu.

E nada valeu porque a força do presidente dos dragões é fortíssima e convincente sobre os seu parceiros, havia que criar engulhos ao presidente da FPF, enquanto Bruno de Carvalho rezava a todos os santos para acertar contas com o leão por ele perseguido.

Surgiram, assim, as eleições. Proença ganhou. Despiu os calções negros, vestiu o fato de ver a Deus e fez a alegria do clube de Jesus. No FC Porto houve um sorriso pela queda do líder do Benfica, este a quem, neste início de época já não sabe o que de pior lhe pode acontecer. Por sua vez, Fernando Gomes, terá perdido o apetite.

Resta esperar que Proença dê início ao jogo. Há quem tenha de jogar contra o sol e resta saber se o apito do ex-árbitro ainda está afinado na interpretação não das 12 Leis o Futebol, mas de um estádio à cunha de interesses de várias cores. Agora não há cartões coloridos para chamar a atenção e castigar alguns empurrões, agora é preciso deixar bem explícito que não há clube preferido, ou seja ser do FC Porto, Sporting ou Benfica e dizer que é do Arrentela.

Estaremos cá para ver e não queremos ouvir, mais uma vez, o “fora o árbitro” ou ter de se chamar a polícia, embora não fosse a primeira vez.
Sinceramente queremos ver na Liga, a presidir, um dr. Pedro Proença, e não o árbitro Pedro Proença que, muitas vezes, vimos dar uma no cravo e outra na ferradura.

E tu, futebol profissional, vamos lá ver se, finalmente, tens sorte, és bem tratado.

Já agora, a saga de Proença não termina aqui. Alguém nos diz que será ele a inaugurar a Casa do Futebol, como presidente da FPF. Assim Deus dê vida e saúde a quem lhe deu o empurrão para a Casa da rua da Constituição.

Joaquim Queirós, jornalista, foi diretor de O Comércio do Porto e da Gazeta dos Desportos
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