Os árbitros estarão dispostos a andar à roda? (artigo de Joaquim Queirós, 3)

Espaço Aberto 05-07-2015 21:48
Por Joaquim Queirós
Todos os anos há histórias para contar no nosso atribulado futebol. É fatal, é dos livros.

E, este ano, cá está a primeira história de um rol que se espera não seja extenso. Assim, antes do iniciar da nova época, com as transferências a saltarem nas bancas como os melões (uns bons e outros maus), aconteceu, nos últimos dias, ali para as bandas da Vila da Feira, numa assembleia geral da linfática Liga dos Clubes Profissionais de Futebol, um momento, assim a modos do “dá-lhe agora que ele está de costas”, em que o Sporting, em estranha mas perfeita sintonia com o FC Porto, apresentou uma proposta para que, a partir da próxima temporada, acabasse a malfadada nomeação dos árbitros, e se regressasse ao insuspeito sorteio.

A transparência entrou em campo.

A mordidela do “leão” e do “dragão”, segundo a informação que recolhemos, apanhou o Benfica off side”, não tendo este outra reacção que não fosse abandonar o campo.

A proposta foi aprovada, por larga maioria, sem discussão, antes na santa paz dos anjos, resultando numa vitória bem badalada pelo presidente dos “dragões”, também ele o único líder dos chamados três grandes que se aventurou a calçar as chuteiras para tão importante encontro e em terreno enlameado de acerto de contas.
Agora, de acordo com a legislação em vigor, caberá à Assembleia Geral da FPF ratificar a decisão, o que faz prever que já estará a fermentar o contra golpe dos derrotados, sobretudo por parte dos responsáveis do emblema da águia, que se sentiu depenada na seu habitual vôo de qualidade na discussão do voto.

E irá ser, pois, neste ambiente de “fora o árbitro” que neste mês de Julho, a sentença poderá transitar em julgado.

A manter-se a decisão inesperada do sorteio, está aberto mais um campeonato de larga discussão, embora ficasse escrito na proposta que os jogos entre os grandes seriam somente apitados por árbitros internacionais, o que, não é motivo para se acreditar que tudo irá correr pelo melhor, uma vez que todos os que gostam de futebol já testemunharam trabalhos de árbitros da chamada élite fazerem perder a paciência a um santo, nalguns casos porque, naturalmente, são atacados por surtos de má condição física, técnica e até de indisponibilidade.

Bruno de Carvalho e Pinto da Costa querem acabar com o “colinho”, querem o regresso da qualidade na condução dos jogos, o que, no entender deles, não se conseguia com as nomeações, com as pouco recomendáveis pressões, com o abuso, o desplante de carinhosos acolhimentos aos homens do apito, ou até com um inofensivo convite para o saborear de um cafézinho e a troca de notas de fortalecimento de amizades e conhecimentos...

Aqueles dois presidentes, mais os vinte e tal que acolheram a decisão, não querem ser envolvidos num processo de pouca transparência, como o usado anteriormente. Querem apitos sorteados e não dourados pelas conveniências.

Só que, é de prever que a confiança nos sorteios também é capaz de resultar em desconfiança, por golos obtidos com a mão, isto a recordarmos o que noutros tempos correu pela praça da má língua, também numa época de sorteio. Dizia-se, então, afoitamente, que havia umas famigeradas bolinhas quentes e outras geladas…

Agora, a vingar o resultado favorável da proposta, como se calcula, certamente que as bolas, sem calor nem gelo, irão aparecer, aplaudidas por uns e vaiadas por outros, uma vez que as memórias daqueles tempos das redondinhas, que não estejam ameaçadas pelo alemão Alzheimer, irão aparecer a solicitar que o sistema de sorteio seja computorizado, uma vez que, nos dias de hoje, esta tecnologia resolve todos os problemas.

Mas, aqui, meus senhores, cuidado, muito cuidado, com os vírus. E há de várias cores e proveniências.

Vamos lá para o sorteio, o qual poderá ter o valor do “euromilhões” para alguma gente.

Cheguei ao limite de espaço que me é reservado e quase não tinha tempo para uma sacramental pergunta: os árbitros estarão dispostos a andar à roda?

Joaquim Queirós, jornalista, foi diretor de O Comércio do Porto e da Gazeta dos Desportos
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