«Ninguém começa a ser do Benfica e se torna sportinguista»

Benfica 06-08-2020 13:07
Por Nuno Paralvas

Miguel Patrício, 54 anos, CEO da Heinz Kraft (uma das maiores empresas mundiais de bens alimentares), é benfiquista com memórias de Eusébio e de domingos felizes na Luz. Continua a seguir o clube com paixão e, em entrevista a A BOLA, fala sobre o eventual interesse da empresa em comprar os direitos de ‘naming’ do Estádio da Luz.

 

- Há cerca de um ano foi nomeado CEO da Heinz-Kraft. Sabemos que é benfiquista. Pode contar-nos um pouco do seu percurso?

 

- Nasci em Lisboa, a 11 de maio 1966 [54 anos]. Cresci em Oeiras. Os meus pais são da Beira Baixa, do concelho de Mação. Tive uma infância incrível, com memórias incríveis. Os meus pais, quando era pequeno, quando tinha nove/dez anos, foram para o Brasil, fruto das consequências económicas do 25 de abril. Os meus pais precisavam de trabalhar e foram para o Brasil. Por lá ficaram dez anos e depois voltaram a Portugal, com a minha irmã, que mora em Coimbra. Já estava na faculdade e terminei-a no Brasil. Tenho uma família muito, muito grande e estou muito próximo e unido a Portugal, mesmo com sotaque brasileiro [risos].

 

- Pode falar-nos um pouco dessas memórias em Portugal?

 

- Todas as férias eram Mação. O meu pai tinha nove irmãos, então tenho 26 primos de primeiro grau só do lado do meu pai. As férias eram sempre em Mação com a família. Quando era pequeno, um dos meus tios, do lado da minha mãe, era sócio e fanático do Benfica e levava-me aos jogos de futebol. E lá ia eu com o tio Abílio. Aí nasceu o meu amor pela camisola encarnada, pelo Benfica. Sempre segui o Benfica. Leio todos os dias três jornais: Wall Street Journal, Financial Times e A BOLA. E assim fui seguindo o futebol de Portugal pela minha vida toda e é, também, uma forma de continuar ligado ao País. Quando era criança joguei hóquei em patins, no Brasil também joguei na Portuguesa e no Palmeiras, durante 14 anos. Fui campeão de hóquei em patins no Brasil. Sempre estive muito ligado ao Desporto e ao Desporto português. Os meus ídolos sempre foram desportistas portugueses.

 

- Como alimentou longe o amor pelo Benfica?

 

- O que nunca trocamos na vida é o clube. Ninguém começa a ser do Benfica e se torna sportinguista. Pode trocar-se de mulher, trabalho e até de partido político, mas não se troca de clube. Benfica sempre foi uma forma de manter a ligação a Portugal. Lembro-me de ouvir os relatos dos jogos do Benfica no Brasil, numa rádio da comunidade portuguesa. Ouvia os relatos, comprava jornais portugueses e brasileiros. Não havia internet. E também lia e via quando voltava todos os anos de férias para Mação.

 

- Qual foi a melhor alegria que o Benfica lhe proporcionou?

 

- [risos] Benfica proporciona-me sempre alegrias. É muitas vezes campeão. Nos últimos anos tem sido incrível. Ganhou quatro vezes seguidas o campeonato. Sofri um bocado antes com o FC Porto tantas vezes campeão, mas os últimos anos tem sido muito bom. E tem produzido jogadores incríveis. Com uma gestão muito boa tem conseguido jogadores muito bons que depois vende, conseguindo manter essa hegemonia. A gestão do Benfica tem sido muito boa.

 

- No seu percurso os contactos com o Benfica foram só emocionais ou teve alguns profissionais?

 

- Só emocionais. Temos de separar a emoção do negócio.

 

- E, falando de negócio, a Kraft Heinz está muito ligada ao Desporto norte-americano, tem, até, os direitos de naming do estádio dos Pittsburgh Steelers. Benfica ou o futebol português são atrativos para a Kraft Heinz, seria atrativo negociar os direitos de naming do Estádio da Luz?

 

- Quem sabe um dia. Mas, hoje, somos pequenos em Portugal. Hoje não faria o mínimo sentido, seria pura emoção. E temos de separar a emoção dos negócios. A Heinz é muito pequena em Portugal. Mas as ambições são grandes, quem sabe um dia nós crescemos em Portugal e Espanha. Vendemos os nossos produtos em Portugal, mas não temos aí qualquer operação grande ou fábrica.

 

- Mercado português é uma gota no oceano?

 

- É, mas com muitas gotas se faz o oceano. É um mercado bom, que cresceu muito nos últimos anos, mas não temos hoje nada importante em Portugal.

 

Leia mais na edição digital ou na edição impressa de A BOLA.

 

 

 

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