«O professor Queiroz estava 30 anos à frente»

Futebol 21-06-2021 23:35
Por Nuno Perestrelo

A gratidão está nas palavras, mas, sobretudo, no olhar. Carlos Queiroz não é um homem qualquer. Não para os jogadores que orientou e levou a ganhar os títulos Mundiais de sub-20 em 1989 e 1991.

 

Bizarro, guarda-redes titular em Riade, lembrou durante a apresentação do livro A Geração de Ouro, de Hugo Sarmento e Duarte Araújo, que quando o selecionador lhe disse que iam ao Mundial da Arábia Saudita para ganhar nem duvidou…

 

«Horas depois estava a acreditar, claro. Eu e o João Pinto somos provavelmente os jogadores que mais horas passámos em estágio com Carlos Queiroz. Ele estava 30 anos à frente. Tínhamos perdido o Europeu, mas ele convenceu-nos. Nestas competições é tudo muito rápido. E a verdade é que na formação no Benfica não vi um único vídeo e na seleção vi-os. Era tudo diferente. Tive uma passagem de ano em que à meia noite e quinze minutos estávamos todos deitados, porque no dia 2 havia jogo no Jamor com o Brasil. Era um trabalho diferente de tudo o que conheci. Ele e Nelo Vingada formavam um par único», elogiou ontem, recordando ainda a insistência no trabalho de bola parada.

 

As 7 operações de Amaral

 

Um dos jogadores que Carlos Queiroz apontou como vítima das lesões – e que por tal motivo não atingiu o patamar esperado – foi Amaral. Perante a plateia o outrora cabeludo de cabelo encaracolado, hoje careca e de cabelo rapado, não dramatizou a situação, embora tenha partilhado algumas das dificuldades porque passou. As físicas, logo para começar: «Fui operado 7 vezes aos joelhos. Quatro ao esquerdo, três ao direito! Mas estou grato por ter conseguido fazer uma carreira na qual representei Sporting, Benfica, Belenenses e Vitória de Setúbal. Fui um privilegiado por ter pertencido a este projeto e fiz sempre aquilo de que gostei», disse com humildade.

Outros problemas eram igualmente difíceis de ultrapassar: «Fomos muito bons e éramos muito unidos, bons também fora de campo. Gostávamos de brincar, mas levávamos as coisas a sério lá dentro. No Sporting, no entanto, havia 11 jogadores brasileiros e naquele ano nenhum jogador dos juniores subiu aos seniores…»

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