Ferro Rodrigues repreende no Parlamento deputado André Ventura por abusar da palavra vergonha

Política 12-12-2019 18:58
Por Redação

Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, interrompeu um discurso de André Ventura para o repreender pelo uso excessivo da palavra vergonha no Parlamento.

 

O momento aconteceu na tarde desta quinta-feira, no Parlamento, a propósito de uma intervenção do PSD sobre a remoção do amianto nos edifícios públicos.

 

André Ventura tomou a palavra para dizer que era «vergonhoso haver dinheiro para tudo», incluindo para «subvenções vitalícias», mas não haver dinheiro para a remoção do amianto. «Uma vergonha», defendeu.

 

Porém, a meio da intervenção, o deputado do Chega foi interrompido por Eduardo Ferro Rodrigues, que lhe fez uma reprimenda pelo uso excessivo da palavra vergonha em contexto parlamentar.

 

O caso deu origem a uma conferência de imprensa de André Ventura, na qual anunciou ter pedido uma audiência urgente com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, «para assegurar o regular funcionamento das instituições», acrescentando que vai «exigir um pedido de desculpas» de Ferro Rodrigues.

 

«O PS vem agora com uma solução inovadora: uma linha de crédito 800 milhões de euros para a saúde, para os transportes, não sei quantos milhões para subvenções vitalícias e não há dinheiro para retirar o amianto dinheiro das instalações que coloca em causa a saúde dos portugueses. É vergonhoso. Este projeto da linha de crédito só tem uma palavra: vergonha», disse André Ventura.

 

Foi aí que Ferro Rodrigues o interrompeu. «O senhor deputado utiliza a palavra vergonha e vergonhoso com demasiada facilidade, o que ofende muitas vezes todo o Parlamento e ofende-o a si também».

 

Nesse momento, toda a ala esquerda do hemiciclo irrompeu em aplausos ao presidente da Assembleia da República, mas as bancadas da direita não gostaram, com os deputados do CDS a manifestarem-se, por gestos, contra a reprimenda.

 

André Ventura não se ficou e pediu a defesa da honra. «Penso que um deputado usa as expressões que são legítimas no contexto que entender legítimo».

 

E enquanto Ferro lhe retirava a palavra continuou. «É uma vergonha o que se está a passar neste Parlamento.

A última palavra, contudo, foi mesmo do presidente do Parlamento, que disse que «não há liberdade de expressão quando se ultrapassa a liberdade dos outros».

 

«Fui mandado calar, fui humilhado à frente de toda a gente e foi-nos dito que não podemos usar determinadas expressões, e quando é assim não é só um partido que é humilhado, é um país inteiro, são os meus eleitores e são todos os que representam a Assembleia da República de forma democrática», finalizou André Ventura.

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