Federações acusam Estado de ignorar o desporto

Mais Desporto 16-07-2020 10:18
Por Miguel Morgado

Uma moção estratégica para revitalizar o desporto nacional, elaborada pelo Comité Olímpico de Portugal (COP), Comité Paralímpico de Portugal (CPP) e Confederação de Desporto de Portugal (CDP), foi aprovada por unanimidade por 52 entidades presentes na Cimeira das Federações Desportivas que decorreu ontem em Algés. Um dia «histórico», no qual o desporto «falou a uma só voz» na boca de vários intervenientes.


Em sete pontos,  pede-se a retoma da prática desportiva em segurança. «Procura responder do ponto de vista económico e da sustentabilidade, designadamente a nível do tecido associativo de base, à recapitalização das federações desportivas, às necessidades de clubes e aponta um conjunto sugestões na área do impacto fiscal no desporto, promoção turística e valorização social do desporto, na expectativa de que, após esta paragem significativa, haja uma quebra de praticantes que será necessário recuperar», sublinhou José Manuel Constantino, presidente do COP, que, juntamente com os congéneres do CDP e CPP estão mandatados para apresentar o documento junto do governo e da Assembleia da República.

 

«CPP e CDP e COP juntaram-se para ter uma plataforma comum para negociar. É a única diferença. Mas o estado de desconforto e insatisfação, esse, permanece e é transversal a todo o tecido associativo e federativo», continuou em declarações aos jornalistas no final da Cimeira. «O governo dá mais atenção a outras áreas. Podemos ver figuras do Estado português no teatro, na música, mas não vi a presença nas atividades desportivas que retomaram e isso revela a pouca atenção que é dada pelo Estado português», lamentou.
«O Governo vai ouvir-nos. No entanto, uma coisa é ouvir, outra é concretizar as propostas que apresentamos. Mas estamos convictos de que seremos ouvidos numa postura de diálogo», disse José Manuel Lourenço, da CPP.

 

«Sem uma resposta célere corremos o risco de extinção e colapso das estruturas de base do tecido desportivo», frisou, Carlos Cardoso, da CDP. Manuel Fernandes, presidente da Federação Portuguesa de Basquetebol, em representação das cinco modalidades de pavilhão (andebol, basquetebol, futsal, hóquei em patins e voleibol) antecipa «a luta pela sobrevivência de uma parte significativa dos clubes portugueses» e espera que o Estado reconheça que «é importante apoiar e investir no desporto e no associativismo». Emanuel Silva, da Comissão dos Atletas Olímpicos, apontou preocupações para o futuro. «Temos de criar condições aos sucessores da Telma  [Monteiro], Nelson [Évora], Emanuel [Silva] e do Fernando [Pimenta]. Um país sem desporto, é um país a morrer», finalizou.

 

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