Um plantel de 25 jogadores para o futuro próximo do futebol português

Portugal 12-01-2021 02:47
Por Luís Mateus

A formação portuguesa continua a produzir enorme quantidade de nomes que já alimentam ou podem alimentar a curto prazo tanto a Seleção como os grandes do futebol português e até mundial. E se escolhemos aqui 25 – que será, mais ou menos, o número médio de atletas de um plantel –, com o mais velho a ter apenas 22 anos, poderíamos chegar facilmente aos 30 se não tivéssemos deixado de fora jogadores da qualidade de Florentino, Diogo Queirós, Ronaldo Camará, Nuno Tavares, Romário Baró ou Tomás Tavares, que a qualquer momento podem entrar na equação, e que merecem óbvia menção honrosa. João Félix, apesar de só ter 21 anos, entra noutro patamar, sendo já um jogador influente numa equipa de topo, como o Atlético Madrid.

 

É um exercício. São 25 nomes que criam grandes expetativas para o nosso futebol na próxima década.

 

Os primeiros dez nomes:

 

1. Francisco Trincão (21 anos; esquerdino; extremo-direito/extremo-esquerdo/segundo avançado; internacional A; formação: Vianense, FC Porto, SC Braga, Palmeiras FC; clube atual: Barcelona; Jogos/Golos/Assistências: 20/0/1)
É talvez a maior esperança entre todos da lista. Ainda longe da afirmação no Barcelona – apenas um jogo completo e na Liga dos Campeões, diante dos húngaros do Ferencvaros – e na Seleção, mantém todos os argumentos que o podem tornar um fora de série. Forte em ataque posicional e em transição, combinativo ou mais individualista, apostando no forte controlo de bola e no 1x1. Gosta de partir da direita para explorar o espaço interior e definir aí, com passes decisivos, remates ou cruzamentos com aquele fabuloso pé esquerdo, sempre muito difíceis de defender. O contributo defensivo é exemplar, sempre com um olho no arranque para o meio-campo contrário e no contra-ataque.

 

2. Pedro Neto (20 anos; esquerdino; extremo-esquerdo/extremo-direito/segundo avançado; internacional A; formação: Vianense, SC Braga, Palmeiras; clube atual: Wolverhampton; Jogos/Golos/Assistências: 19/4/2)
Excelente temporada em Inglaterra, com golos e assistências, tendo aproveitado o espaço deixado pela saída de Diogo Jota para Liverpool. Muito forte no 1x1, define ainda muito rápido, graças a um apurado controlo de bola. Excelente pé esquerdo, enorme capacidade de aceleração e explosão, pode tornar-se um caso sério na Premier League se mostrar continuidade no trabalho desenvolvido.

 

3. Nuno Mendes (18 anos; esquerdino; lateral-esquerdo; internacional sub-21; formação: Sporting; clube atual: Sporting; Jogos/Golos/Assistências: 17/1/1)
O mais promissor lateral português do momento e certamente já com muitos interessados no seu concurso. Surpreende pela profundidade que acrescenta à equipa do Sporting, não só pela facilidade com que chega à linha, mas também como ataca o canal interior para chegar a zonas de finalização. Mentalidade muito forte, já com grande maturidade, tem mostrado grande disponibilidade física – embora com problemas sucessivos que o afastaram de alguns jogos –, bom controlo da bola e um rigor defensivo, marcado pelo sentido de posicionamento, agressividade na luta pela bola e destreza no desarme.

 

4. Paulo Bernardo (18 anos; destro; médio ofensivo/médio-centro; internacional sub-19; formação: Benfica; clube atual: Benfica B; Jogos: 15/2/2)
O nome de Paulo Bernardo já circula há tanto tempo como grande promessa do Benfica que nem parece que tem apenas 18 anos. Apesar de ser considerado um 10, o mais provável é que se consolide como box to box, precisamente uma posição carenciada no atual plantel de Jorge Jesus, um técnico que ainda não conseguiu convencer. Centrocampista de muito trabalho, agressivo no desarme e focado no processo defensivo, apresenta um drible curto eficaz, boa visão de jogo, capacidade de passe vertical e chegada à área. A merecer muita atenção.

 

5. Fábio Vieira (20 anos; esquerdinos; médio-direito/médio-centro/médio-esquerdo; internacional sub-21; formação: FC Porto; clube atual: FC Porto; Jogos/Golos/Assistências: 15/1/0)
O maior talento da equipa do FC Porto que ganhou a UEFA Youth League e o último a chegar à formação principal, embora com o maior aproveitamento entre todos desde o início da temporada. Com 1,70 metros de altura e ainda em pleno desenvolvimento muscular, soma minutos que serão sempre importantes para o futuro próximo. A função de playmaker a partir da direita, com excelente capacidade de passe e visão de jogo, poderá vir a ser aproveitada a curto prazo, com ou sem a renovação de contrato por parte de Otávio.

 

6. Joelson Fernandes (17 anos; destro; extremo-esquerdo/extremo-direito; internacional sub-21; formação: Sporting; clube atual: Sporting B; Jogos/Golos/Assistências na Liga Revelação e Campeonato Portugal: 9/2/1)
Andou pela equipa principal antes de renovar contrato e percebeu-se que o seu futebol ainda estava algo cru, ainda era demasiado de rua para a equipa de Rúben Amorim e, como tal, não fazia sentido queimar etapas. Grande virtuosismo técnico, velocidade de execução e sobretudo uma arrogância ou inconsciência que lhe permite sair no 1x1 mesmo perante defesas e médios com outra envergadura. Muito veloz e com enorme aceleração, é um desequilibrador nato, que define geralmente bem. Muito boa leitura dos espaços em movimentos sem bola, poderá crescer em influência em equipas assentes na transição ofensiva.

 

7. João Mário (21 anos; ambidestro; extremo-direito/extremo-esquerdo/médio-esquerdo/médio-direito; internacional sub-21; formação: Sanjoanense, Padroense, FC Porto; clube atual: FC Porto; Jogos/Golos/Assistências: 10/1/0)
Outros dos campeões da Youth League que promete um futuro radioso. Ainda a precisar de consolidar-se como opção regular mesmo a partir do banco, tem argumentos que o tornam um avançado completo, seja a jogar mais junto às linhas ou em terrenos interiores, partindo das alas. Com grande capacidade de aceleração e forte no 1x1, é frio no momento da decisão e bastante eficaz com ambos os pés. Vai crescer com o tempo, desde que vá somando minutos.

 

8. David Carmo (21 anos; esquerdino; central; internacional sub-20; formação: Beira Mar, Estarreja, Benfica, Anadia, Sanjoanense, SC Braga; clube atual: SC Braga; Jogos/Golos/Assistências: 13/0/0)
Uma das possíveis futuras referências defensivas da Seleção, que tem sentido dificuldades em renovar o setor, à exceção da integração gradual de Rúben Dias. Central muito físico, com 1,96 metros de altura e impositivo no jogo aéreo, mas ao mesmo tempo ágil, rápido e forte no desarme e nos duelos individuais. Seguro e confortável com a bola, possui boa capacidade para o passe longo, apostando muitas vezes em diagonais longas para o lado direito do ataque, nas quais revela bastante acerto.

 

9. André Almeida (20 anos; destro; médio-centro/médio ofensivo; internacional sub-20; formação: V. Guimarães; clube atual: V. Guimarães; Jogos/Golos/Assistências: 11/0/0)

Um dos médios interessantes da Liga, que tem aproveitado a aposta de João Henriques e realizado exibições convincentes. Ainda não somou qualquer golo ou assistência esta temporada, depois de ter conseguido um único remate certeiro na anterior, mas já igualou o número de jogos em que participou. Com boa capacidade de drible em progressão, visão de jogo e definição no passe de rotura, é um jogador adequado para equipas de ataque posicional, embora não se sinta desconfortável em transição ofensiva.

 

10. Tiago Dantas (20 anos; destro; médio-centro/médio ofensivo; internacional sub-20; formação: Benfica; clube atual: Bayern; Jogos/Golos/Assistências na II Liga portuguesa: 5/0/3)
As últimas notícias não são animadoras. O Bayern não irá, até prova em contrário, exercer a opção para ficar com o médio ofensivo, mesmo depois dos elogios de Hans-Dieter Flick e da chamada ao banco para o encontro com o Mainz. Não será má notícia para o Benfica, tendo em conta o valor baixo da cláusula e o potencial do jogador, mas será sempre uma situação de difícil gestão para o jovem, face às expetativas que teria de alinhar pelo campeão europeu. A voltar à Luz, o paradigma-Jesus também não lhe será muito favorável, mas um jogador com a sua qualidade tem de ter saída para jogar com regularidade. Muito técnico, é um verdadeiro organizador de jogo, capaz de ditar os tempos da gestão da bola e do ataque, com grande visão de jogo e capacidade de passe. Assenta muito bem no ataque posicional de equipas com longa percentagem de posse de bola. Precisará naturalmente de ganhar resistência ao choque e à pressão, face aos 1,70 metros de altura.

 

Os próximos dez nomes

 

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LUÍS MATEUS é jornalista, analista e comentador de futebol. Foi diretor do MaisFutebol e editor de desporto da TVI, escreveu para o «Expresso», «Público» e zerozero, e comentou ainda para a TVI, Eleven Sports e TSF. Atualmente escreve e comenta no site e no jornal «A Bola» e n’A BOLA TV. Pode segui-lo no Twitter ou no Facebook.

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