Um plantel de 25 jogadores para o futuro próximo do futebol português (II)

Portugal 12-01-2021 02:53
Por Luís Mateus

A formação portuguesa continua a produzir enorme quantidade de nomes que já alimentam ou podem alimentar a curto prazo tanto a Seleção como os grandes do futebol português e até mundial. E se escolhemos aqui 25 – que será, mais ou menos, o número médio de atletas de um plantel –, com o mais velho a ter apenas 22 anos, poderíamos chegar facilmente aos 30 se não tivéssemos deixado de fora jogadores da qualidade de Diogo Queirós, Ronaldo Camará, Nuno Tavares, Romário Baró ou Tomás Tavares, que a qualquer momento podem entrar na equação, e que merecem óbvia menção honrosa. João Félix, apesar de só ter 21 anos, entra noutro patamar, sendo já um jogador influente numa equipa de topo, como o Atlético Madrid.

 

É um exercício. São 25 nomes que criam grandes expetativas para o nosso futebol na próxima década.

 

Mais dez nomes:

 

11. Gonçalo Ramos (19 anos; destro; avançado-centro/segundo avançado/médio ofensivo; internacional sub-21; formação: Benfica; clube atual: Benfica B; Jogos/Golos/Assistências: 5/1/1)
É impossível não pensar que Gonçalo Ramos já deveria estar a ter mais minutos, mesmo com a concorrência que tem na Luz. É um médio feito avançado, fisicamente muito forte e capaz de responder de imediato nos duelos, móvel, rápido, com bom ataque à profundidade e, obviamente, capaz de estabelecer uma boa ligação ao setor intermediário. No entanto, o que mais se destaca é o instinto goleador e a capacidade de finalização. Tem tudo para ser um predador na grande área, é especial. Sobretudo, se estiver confiante.

 

12. Tiago Tomás (18 anos; destro; avançado-centro/segundo avançado/extremo-direito; internacional sub-19; formação: Estoril, Sporting; clube atual: Sporting; Jogos/Golos/Assistências: 17/6/3)
A grande surpresa e, ao mesmo tempo, confirmação da temporada. Surpresa porque, apesar de todas as qualidades que se lhe reconheciam, conseguiu ser muito importante para os leões logo na primeira época, com excelentes exibições, golos importantes e a divisão da titularidade com um companheiro de equipa oito anos mais velho e com mais de 20 jogos pela principal seleção eslovena: Sporar. TT é velocidade de ação e pensamento, com inteligência nos movimentos sem bola, técnica, habilidade, agilidade corporal, instinto e finalização. Excelente metade de temporada e muitas expetativas sobre a sua evolução.

 

13. Rafael Brito (18 anos; esquerdino; médio defensivo/lateral-direito/médio-direito; internacional sub-19; formação: Benfica; clube atual: Benfica B; Jogos/Golos/Assistências na II Liga: 11/0/0)
Um dos nomes menos falados da fábrica do Seixal, mas talvez dos mais completos, desde o aspeto mental ao tático, passando pelo técnico e pelo físico. No processo ofensivo, destaca-se pela definição no passe e pela visão de jogo. Sendo a posição de médio defensivo aquela que parece mais indicada para as suas características, destaca-se pelo posicionamento, capacidade de desarme e foco.

 

14. Fábio Silva (18 anos; destro; avançado-centro/segundo avançado; internacional sub-19; formação: FC Porto, Benfica; clube atual: Wolverhampton; Jogos/Golos/Assistências: 14/1/0)
Um talento precoce, que procura afirmar-se na melhor liga do mundo quando ainda não se tinha afirmado no clube onde se formou. Várias etapas queimadas por culpa das circunstâncias – um FC Porto a necessitar de vender e de vender bem –, fator só atenuado por ter um treinador que o saberá proteger e terá paciência, mesmo com a lesão grave de Raúl Jiménez a ter de precipitar algumas decisões. É um goal poacher, como dizem os britânicos, graças à qualidade dos movimentos, velocidade e capacidade de finalização, mas percebeu-se que a subida tão rápida de patamar tirou-lhe algum fôlego. Boa técnica individual, com controlo de bola e capacidade de drible, pode servir de âncora à equipa graças à sua envergadura para proteger o esférico e resistir à pressão. Precisa de somar minutos para ultrapassar as dores de crescimento.  

 

15. Jota (21 anos; destro; extremo-esquerdo/extremo-direito/segundo avançado; internacional sub-21; formação: Benfica; clube atual: Valladolid; Jogos/Golos/Assistências: 10/2/0)
É uma das grandes incógnitas da lista. Perdeu-se um pouco na passagem para sénior, depois de ter sido um dos mais promissores da sua geração, a par de Trincão. Drible curto e muito eficaz em progressão, excelente técnica individual nos vários momentos, incluindo no passe, cruzamento e finalização. O impasse que viveu na Luz só poderá ser explicado pelo próprio e pelos treinadores que teve, mas com ou sem atenuantes pareceu sempre faltar uma aposta consistente nas suas qualidades, mesmo quando a equipa sentia dificuldades em momentos que podiam ser resolvidos através dos seus pontos fortes. Vai ter de aproveitar bem o empréstimo ao Valladolid para voltar e provar que a culpa não foi dele. O talento é inequívoco e o momento crucial.

 

16. Diogo Costa (21 anos; destro; guarda-redes; internacional sub-21; formação: FC Porto; clube atual: FC Porto; Jogos/Golos Sofridos: 5/5)
É há muito tempo visto como o futuro dono da baliza do FC Porto por muitos anos, mas ainda não é claro quando iniciará a sua era. Tecnicamente, é dos melhores que a formação portuguesa já produziu: reflexos apurados, enorme agilidade, presença, elegância e domínio da pequena área, rapidez e bons posicionamentos nas saídas, e muito seguro. Resta saber se os poucos jogos que fez ainda enquanto sénior (4 Liga, 1 Liga dos Campeões, 6 Taça da Liga, 9 Taça de Portugal) nos últimos dois anos e os que se adivinham a curto prazo não terão consequências na evolução. Esse é o único senão. Talvez devesse estar a rodar nesta altura.

 

17. Luís Maximiano (22 anos; destro; guarda-redes; internacional sub-21; formação: SC Braga, Sporting; clube atual: Sporting; Jogos/Golos Sofridos: 2/1)
Talvez não merecesse a contratação de Adán pela importância que teve na última temporada, com muitas defesas brilhantes, que terão dado vários pontos aos leões. No entanto, os problemas de saúde no início da temporada apenas aceleraram as expetativas existentes e criadas com a entrada do experiente espanhol no plantel. Caiu para o banco depois de uma época promissora, em que mostrou um bom controlo da profundidade e muita segurança entre os postes, apesar de um ou outro erro pontual, um deles mais grave, ao jogar de forma precipitada com os pés. Terá sido aí nesse aspeto e na maior maturidade que Adán começou a ganhar o lugar, consolidando-o depois com várias exibições importantes (e um ou outro erro também). Voltar a jogar com regularidade será o grande e mais imediato objetivo para Max.

 

18. Diogo Leite (21 anos; esquerdino; central/lateral-esquerdo; internacional sub-21; formação: Leixões, Padroense, FC Porto; clube atual: FC Porto; Jogos/Golos/Assistências: 11/0/0)
Mais uma grande promessa da posição, que chegou a estar no mercado no verão, mas terá convencido de vez Sérgio Conceição. Ultrapassou os erros cometidos, alguns resultantes de alguma ingenuidade, o treinador não desistiu dele e já provou que pode ser um jogador importante para o futuro do FC Porto. Fisicamente dominador e com grande capacidade pelo ar, melhorou nos duelos individuais e a equipa pode finalmente beneficiar de um pé esquerdo de excelência na construção a partir de trás.

 

19. Daniel Bragança (21 anos; esquerdino; médio defensivo/médio-centro; internacional sub-21; formação: Sporting; clube atual: Sporting; Jogos/Golos/Assistências: 7/0/1)
Demora em afirmar-se, apesar de toda a qualidade que possui. Playmaker recuado, tem uma qualidade de passe de excelência, que alia à boa visão de jogo e cultura tática. Tem apenas um jogo completo, na Taça da Liga, e os quatro que fez no campeonato, todos somados, não chegam a 90 minutos, o que parece pouco para as soluções que acrescenta no ataque posicional e para as dificuldades que os leões já apresentaram em alguns encontros nesse aspeto. A fragilidade física nos duelos defensivos e a baixa estatura no jogo aéreo podem ser encarados como inibidores da aposta e a verdade é que a concorrência no duplo-pivot é bastante forte, por isso um empréstimo poderá dar-lhe o que precisa: minutos para continuar a evoluir.

 

20. Vitinha (20 anos; destro; médio-centro/médio ofensivo; internacional sub-21; formação: FC Porto, Padroense; clube atual: Wolverhampton; Jogos/Golos/Assistências: 10/0/1)
Mais um campeão da Youth League e mais um jogador, a par de Fábio Silva, que queimou algumas etapas ao assinar por uma equipa da Premier. É um nome de futuro, tem somado minutos e ganhado experiência, que poderão ser muito importantes para o seu crescimento a médio prazo, embora talvez fizesse mais sentido estar numa equipa mais de ataque posicional e não tão assente na transição ofensiva. Excelente leitura e tomada de decisão, com definição de passe a curta e longa distância e a dose certa de criatividade para abrir defesas. Bom controlo de bola e resistência à pressão. É um ano de aprendizagem.

 

Os dez nomes anteriores

 

Os últimos cinco nomes e o desenho do plantel completo

 

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LUÍS MATEUS é jornalista, analista e comentador de futebol. Foi diretor do MaisFutebol e editor de desporto da TVI, escreveu para o «Expresso», «Público» e zerozero, e comentou ainda para a TVI, Eleven Sports e TSF. Atualmente escreve e comenta no site e no jornal «A Bola» e n’A BOLA TV. Pode segui-lo no Twitter ou no Facebook.

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