Nenê: «As pessoas acham que o jogador está velho, mas não conhecem o dia a dia»
Uma das figuras da edição passada da Liga 2 foi, sem dúvida, Nenê. O experiente avançado do Aves SAD conseguiu, no auge dos seus 40 anos, arrecadar o prémio de melhor marcador da competição, estar presente no melhor onze da competição e, ainda, levar para casa diversos prémios de jogador e avançado do mês.
A um mês de completar 41 anos, o brasileiro foi entrevistado pelo Globo Esporte, onde falou sobre a grande temporada que fez no segundo escalão português. «As pessoas acham que o jogador está velho, mas não conhecem o dia a dia, não sabem se é profissional. A experiência conta muito», afirmou Nenê.
«No Nacional, fui o melhor marcador da Liga portuguesa com 20 golos [em 2008/09] quando era mais jovem, com 24 anos. Fui para a Itália e desenvolvi muito a parte tática. Conheço os atalhos, passei a entender onde a bola pode cair quando o meu colega cruza. Hoje, passo isso aos mais jovens. Sempre tive disciplina fora de campo, nunca fui de perder noites», acrescentou o jogador do Aves SAD.
𝙂𝙤𝙡𝙤𝙨 𝙖𝙩𝙧𝙖́𝙨 𝙙𝙚 𝙜𝙤𝙡𝙤𝙨 ⚽️
— AFS Vila das Aves (@afs_viladasaves) May 20, 2024
Nenê termina as 34 jornadas do campeonato como rei dos goleadores 🔝
23 golos ⚽️
32 jogos 👕
Melhor jogador do mês 4x 🏆
Parabéns Nenê 🔴⚪️#AFSPaixão pic.twitter.com/ieK1lQ3Tb3
Nenê recordou a primeira temporada em que jogou em Portugal. Na altura (2008/09), ao serviço do Nacional da Madeira, mas emprestado pelo Cruzeiro, o brasileiro foi o goleador máximo dessa edição do campeonato, um feito que não esquece dada a forte concorrência que tinha.
«Fui o melhor marcador do Campeonato Português 2008/2009 com 20 gols, num ano que tinha Liedson no Sporting e o paraguaio Óscar Cardozo no Benfica. Fui comprado pelo Nacional por cerca de 500 mil euros. E, no ano seguinte, fui para o Cagliari, da Itália, vendido por 4,5 milhões de euros», recordou Nenê.
«Em Itália enfrentei Ronaldinho, Alexandre Pato, Thiago Silva, Seedorf, Julio Cesar, Eto'o, Maicon, Zanetti... E joguei com nomes como Luca Toni, Javier Saviola, Rafa Marques, e com o Radja Nainggolan no Cagliari. Acho que o técnico mais marcante que tive foi o Massimiliano Allegri [no Cagliari], que ensinou-me que eu tinha de impor-me, se não as pessoas fariam o que quisessem de mim. Aprendi muito com ele», acrescentou o brasileiro.
Depois dos nove anos de Itália, Nenê voltou para Portugal, com 35 anos, para reforçar o Moreirense em 2018/2019. Deixou Moreira de Cónegos durante a pandemia, quando não teve o contrato renovado. Pensou em pendurar as botas, mas ganhou uma nova vida nos escalões inferiores a defender o Leixões, o Viafranquense e, desde 2023, o Aves SAD.
«O dono do Viafranquense queria que o clube tivesse um estádio, mas isso não aconteceu. Então levou o clube para Vila das Aves. E aqui conseguimos o acesso à primeira divisão logo no primeiro ano. No início, o estádio tinha só alguns senhores, umas 2 mil pessoas, mas no último jogo contra o Portimonense o estádio estava cheio. A cidade abraçou-nos e levámos a equipa à Liga 1», concluiu Nenê.