Jorge Pessanha Viegas: “Se a pandemia se mantiver ativa, quase de certeza que vamos ter uma prova de MotoGP em Portugal em 2021”

Desporto 20-11-2020 17:30

Quando foi eleito, estabeleceu como compromisso o regresso das melhores motos do mundo a um circuito português e, dois anos depois, vai ser uma realidade este fim-de-semana. Para 2021, Portimão está de reserva mas existem grandes possibilidade de ouvirmos o rugido destas motos em abril do próximo ano.

José Carlos Lourinho

Jorge Pessanha Viegas, presidente da Federação Internacional de Motociclismo (FIM) desde 1 de dezembro de 2018, assinou o primeiro contrato com a Dorna, que permitiu a Portugal receber o MotoGP entre 2000 e 2012. Quando foi eleito, estabeleceu como compromisso o regresso das melhores motos do mundo a um circuito português e, dois anos depois, vai ser uma realidade este fim-de-semana. Para 2021, Portimão está de reserva mas existem grandes possibilidade de ouvirmos o rugido destas motos em abril do próximo ano.

Como é que analisa este regresso do MotoGP a Portugal, oito anos depois?

Tenho um sentimento muito positivo, até porque fui eu que assinei o primeiro contrato em 2000 que permitiu a vinda do MotoGP a Portugal. Tive ocasião de assinar o contrato coma Dorna em 2000 sendo que a prova manteve-se até 2012. Agora temos este regresso que acontece fruto das circunstâncias que toda a gente sabe mas espero que a partir de 2022, esta prova regresse definitivamente a Portugal. Esse é o plano.

Para já, em 2021, o circuito de Portimão ficará de reserva…

Será assim em 2021: se tivermos más notícias ou seja, se a pandemia se mantiver ativa, quase de certeza que vamos ter uma prova em Portimão. A FIM tem muitas dúvidas sobre a segunda e terceira provas do calendário que à partida terão lugar na Argentina e EUA, temos dúvidas se nessa altura será possível realizar os grandes prémios nestes países. Se não for possível, é quase certo que Portimão entra talvez por altura do mês de abril de 2021.

Como é que viu as imagens polémicas do GP F1 em Portimão e como recebeu a notícia que, fruto dessa situação, o MotoGP em Portimão não teria público nas bancadas, pagando a fatura do que aconteceu.

Quem anunciou essa decisão foi o próprio primeiro-ministro, isso revela bem a importância disto. Ouvi os argumentos de parte a parte, tive ocasião de falar com o Paulo Pinheiro (CEO do Autódromo Internacional do Algarve) sobre aquilo que se passou, ele acha que foram apenas situações pontuais. A verdade é que as imagens que foram passadas para a opinião pública foram bastante negativas. Não estive lá e não me pronuncio sobre a justeza da decisão. Claro que tenho que lamentar essa situação, sobretudo pelo facto de termos o Miguel Oliveira a competir sem público. Essa é uma situação que não me agrada como é evidente, seria uma mais-valia para ele porque todos queriam vê-lo a correr no país onde nasceu. Se calhar as coisas poderiam ter sido decididas pela forma como o promotor do evento sugeriu, ou seja, reduzir algum público. É indesmentível que nem tudo foi bem organizado durante a Fórmula 1 e nós estamos a pagar a fatura. Se calhar é uma maneira de mostrar que há firmeza nessas decisões. Não sou especialista na área de saúde pública portanto tenho que confiar nas pessoas que dizem que assim é que deve ser. Caso houvesse público também iria ser problemático porque o concelho de Portimão também entrou na lista negra e também iria haver muitos problemas com deslocações e tudo o mais. Se calhar, ainda bem que se tomou essa decisão com algum tempo, imagine o que era as pessoas terem tudo previsto para se deslocarem a Portimão e depois não poderem ir.

O facto de não termos público nesta prova fragiliza o circuito de Portimão relativamente à decisão futura de realizar outras provas aqui?

Este ano, das 15 provas que foram realizadas, só houve público em duas e de forma muito reduzida. Todos estão cientes de que estamos a viver tempos absolutamente excecionais e até digo mais: é um milagre que tenhamos conseguido terminar todas as provas organizadas pela FIM. Realizámos todas as provas de forma completa e muito competitiva, sempre respeitando as regras sanitárias de cada país. Tentamos sempre criar uma bolha e é isso que se vai passar no autódromo de Portimão e tivemos poucos casos de pessoas com teste positivo.

Sente que a crise económica pode limitar os investimentos no motociclismo?

Este ano houve um investimento muito grande por parte dos maiores promotores no sentido de manter a atividade na sua disciplina. Ou seja, estes promotores financiaram as equipas de forma que não houvesse desemprego nem uma paragem da atividade. É evidente que, se tivermos um segundo ano sem público ou com restrições na organização de eventos, as coisas vão ser muito mais sérias. O que tenho sentido por parte dos patrocinadores e agentes económicos nesta indústria é que há uma grande vontade de que regresse à normalidade. Creio que vai haver uma retoma em V nesta área, assim o vírus o permita. Se tivermos a vacina e se no final do primeiro trimestre do ano que vem as coisas voltarem um bocado à normalidade e, sobretudo, se as pessoas alterarem um pouco a sua mentalidade do medo, acho que vamos ter uma retoma rápida. Vai naturalmente levar algum tempo até recuperar os níveis de atividade de 2019 mas acho que vamos conseguir retomar. As pessoas estão desejosas de se divertir, se sentirem emoções.

O que espera de Miguel Oliveira nesta prova de Portimão?

O Miguel tem vindo a fazer um campeonato muito bom, neste momento está nos dez primeiros e venceu uma prova. O que está à vista de todos é que este campeonato de MotoGP é extremamente competitivo, as diferenças são em milésimo de segundo e qualquer falha dita logo a perca de dois ou três lugares. O Miguel Oliveira está no campeonato mais competitivo que eu conheço, roda entre os da frente e tudo é possível. É evidente que ele vai ter uma motivação especial por correr no Autódromo Internacional do Algarve, que ele conhece muito bem. As corridas têm sempre imponderáveis mas sem problemas de quedas, como já lhe aconteceu este ano, estou convencido que o Miguel vai-nos dar uma grande alegria. Não digo que ganhe mas estou certo que vai estar nos lugares da frente.

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