Portugal entre as Ligas de futebol que dá menos minutos a jogadores sub-21

Desporto 23-09-2020 07:45

Em Portugal, apesar das vendas com valores avultados, os jovens continuam a ter poucas oportunidades para jogar e continuar o seu desenvolvimento. Ainda assim, tal fator não tem sido impedimento para os clubes serem recompensados pelo seu processo de formação, como é o exemplo mais recente de Fábio Silva que saiu do FC Porto, onde atuou apenas 790 minutos divididos por 24 jogos, por 40 milhões de euros rumo aos ingleses do Wolverhampton FC.

João Tereso Casimiro

Em Portugal, os jovens com menos de 21 anos de idade atuam, em média, 9,6% dos minutos por jogo, fazendo do campeonato português o oitavo pior da Europa nas oportunidades dadas aos jovens talentos. Em comparação com as chamadas ‘Big 5’ (Inglaterra, França, Itália, Espanha e Alemanha), Portugal está dentro da média, oferecendo mais oportunidades do que, por exemplo, a Premier League, segundo o “CIES Football Observatory”.

O “CIES Football Observatory” elaborou um estudo onde classifica as 80 principais ligas de futebol em todo o mundo com a percentagem de minutos jogados por atletas com 21 anos ou menos de idade. Entre as conclusões, destaca-se a falta de oportunidades nas principais ligas europeias, como a Premier League onde, em média, desde a temporada 2015/16 os jovens jogadores só atuam em 7,1% dos minutos de jogo.

Em sentido contrário, entre as ‘Big 5’, é a França que oferece mais oportunidades aos jovens jogadores, 15,4% dos minutos. As restantes, Espanha com 9% e Itália com 9,3% são, à semelhança de Inglaterra (7,1%), as ligas onde jovens sub-21 atuam menos tempo. Alemanha acompanha a França nos minutos disponibilizados, 13,1%.

Em Portugal, apesar das vendas com valores avultados, os jovens continuam a ter poucas oportunidades para jogar e continuar o seu desenvolvimento. Ainda assim, tal fator não tem sido impedimento para os clubes serem recompensados pelo seu processo de formação, como é o exemplo mais recente de Fábio Silva que saiu do FC Porto, onde atuou apenas 790 minutos divididos por 24 jogos, por 40 milhões de euros rumo aos ingleses do Wolverhampton FC.

O investimento em jovens jogadores acaba sempre por contemplar fatores especulativos, sendo normal que, quanto mais jovem for o jogador, mais valor terá no mercado de transferências, devido à possibilidade de continuar a evoluir. São vários os casos de jogadores portugueses que, depois de passarem uma época inteira no campeonato português, acabam por rumar a outras ligas, umas mais competitivas que outras, e a terem o seu valor de mercado valorizado, ingressando posteriormente em equipas de topo mundial.

A nível mundial, os países que se destacam no topo da lista do “CIES Football Observatory”, são a Estónia (31,1%) e a Letónia (27,2%). A primeira divisão eslovena completa o pódio com 26,4%. Por sua vez, a Eredivisie (Países Baixos) é o campeonato mais competitivo a figurar entre os 10 primeiros a nível mundial, em oitavo lugar com 23,8%.

Desde 2015, é na liga chinesa que os jogadores sub-21 têm menos oportunidades de jogar, tendo apenas 3,9% dos minutos. Uma das leituras que se pode fazer sobre esta falta de oportunidades, indica que a China ainda está longe de se tornar numa potência do futebol, mesmo quando comparado aos rivais asiáticos, Japão (7,2%) e Coreia do Sul (6%), sendo natural que a seleção masculina de futebol continue como uma das mais “fracas” do mundo, algo que os chineses se mantém empenhados a mudar.

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