Jogos sem adeptos nos estádios: como a inteligência artificial pode atenuar esta lacuna

Economia da Bola 08-06-2020 16:54

Há sempre a noção de que o jogo não é nada sem os seus adeptos e, embora isso seja amplamente verdade, talvez a pergunta agora seja outra: serão as vozes e os cânticos dos adeptos importantes para o decorrer da partida ou apenas para efeitos de espetáculo?

Jéssica Sousa

A noção de que um jogo não é igual sem a presença dos adeptos no estádio levantou questões sobre se o seu papel é necessário para o decorrer da partida ou apenas para efeitos de espetáculo.

Até ao final do mês, todos os jogos da Primeira Liga vão decorrer à porta fechada, uma medida de prevenção decretada pela Direção-Geral de Saúde que visa impedir a propagação do novo coronavírus. Com isto, e com o limite de pessoas em cafés e restaurantes, muitos adeptos serão forçados a assistir os jogos em casa e com apenas a voz dos comentadores para os manter entretidos.

A inteligência artificial (AI) já é vista como uma resposta viável para o silêncio durante os jogos, que durará pelo menos, até as portas continuarem fechadas aos adeptos.

O jornalista Dan Tracey olha para a possibilidade dos canais de televisão adaptarem os seus jogos e incluírem uma mistura de som que incorpore o eco das vozes e dos cânticos dos adeptos num estádio.  “Não importa de onde vem esse ruído ou quem o está a produzir, só precisa estar presente e apesar de ainda parecer um pouco genérico, com as tecnologias a evoluir a cada semana, isso tem o potencial para melhorar muito”, escreve.

“Muito rapidamente, toda a experiência da jornada torna-se muito mais digital e, mais importante, digerível”, sublinha.

Tracey sugere, por isso, que as emissores ofereçam a opção desta “banda sonora” ao telespetator para que seja transmitida a experiência total de um jogo num estádio. “Se os espetadores sentem que a falta de ruído durante um jogo é uma barreira à participação, a medida simples é removê-la”, continua.

Envolver tecnologia nos jogos de futebol já é uma realidade. O que se pede agora é que se vá um pouco mais longe e que o papel da tecnologia melhore a forma como o futebol, em tempos de pandemia, é consumido.

“Portanto, este novo tom pode não ser do gosto de todos, mas certamente oferece algo no caminho de uma solução e, agora, para que o jogo global volte à saúde total mais uma vez, precisará de muito mais”, finaliza.

 

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