“Tudo se alterou”. Como se justifica o pedido de revogação da OPA à SAD do Benfica

Economia da Bola 20:50

"Não há campeonato, não há Euro 2020, os jogadores estão sem jogar, os adeptos não vêm ao estádio, não há venda de merchandising, não há transmissões televisivas de jogos... a paralisação da indústria do futebol e tudo o que lhe está associado", disse fonte próxima dos 'encarnados' ao JE.

José Carlos Lourinho

A Benfica SGPS comunicou na noite de terça-feira o pedido de revogação da Oferta Pública de Aquisição (OPA) à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e de acordo com fonte próxima ao processo, essa solicitação foi justificada com uma “modificação anormal de circunstâncias”.

De acordo com a mesma fonte, este pedido de revogação já estava a ser discutido com CMVM “há quase duas semanas” pelo que o Benfica estava a aguardar feedback do regulador, já tinha que existir autorização para a revogação.

E quais os motivos para que a Benfica SGPS venha agora pedir a revogação da oferta? De acordo com fonte próxima dos ‘encarnados’, “é preciso que exista uma alteração imprevisível e substancial de circunstâncias que fundaram a decisão de lançar a oferta, percebidas enquanto tais pelos destinatários

No entender desta fonte a que o JE teve acesso, a Benfica SGPS pode pedir a revogação desta operação uma vez que, no entender do Benfica, não existiu um chumbo da OPA por parte da CMVM: “A CMVM tomou uma decisão que ainda está sujeita a oposição pela Benfica SGPS. A Benfica SGPS vai pronunciar-se sobre essa decisão, por considerar que não está correta. Entretanto a OPA continua. Mas a Benfica SGPS pretende que a OPA não prossiga, em virtude de ter ocorrido uma alteração de circunstâncias associada ao Covid-19 e suas consequências”.

E o que se alterou para que fosse feito este pedido de revogação da OPA. Fonte próxima do Benfica é taxativa e diz que “tudo se alterou”: “Não há campeonato, não há Euro 2020, os jogadores estão sem jogar, os adeptos não vêm ao estádio, não há venda de merchandising, não há transmissões televisivas de jogos… a paralisação da indústria do futebol e tudo o que lhe está associado”.

Para esta fonte próxima dos encarnados, não há nenhuma razão para a CMVM não conceder esta autorização. “Se esta regra não for aplicável neste cenário, que nunca conhecemos na vigência do Código dos Valores Mobiliários, é obrigatório concluir que a regra não tem aplicação e que não serve para nada”, conclui ao JE.

 

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