Bruno de Carvalho ao ataque: «Houve quem mentisse mas o julgamento público foi para mim»

Sporting 01-06-2020 17:59
Por Rui Baioneta

Bruno de Carvalho, presidente destituído do Sporting (foi também expulso de sócio do clube), absolvido da acusação de ter sido um dos autores morais do ataque à Academia de Alcochete, esteve no programa 'A tarde é sua', na TVI, e, à semelhança do que tem acontecido nas várias intervenções públicas que já teve desde que terminou o julgamento dos acontecimentos ocorridos a 15 de maio de 2018, voltou a defender a sua honra.
 

Antes, porém, lembrou os momentos que viveu nos dias que antecederam o ataque, e no dia do próprio ataque, voltou a falar nos episódios com William Carvalho, já abordados em tribunal. «Houve dois julgamentos, o propriamente dito e o público», disse.
 

«O William Carvalho disse duas vezes à investigação que não conhecia arguidos e depois ficou provado em tribunal. Num apenso estavam telefonemas dele para um dos arguidos. Enquanto cidadão fico preocupado com pessoas que têm de mentir. Eu nunca fui apanhado a mentir. Houve quem mentisse mas o julgamento público foi para mim», realçou.
 

O ex-dirigente falou ainda da expressão «foi chato». «Se pessoas forem ver, fui claro. Disse que o que tinha acontecido era um crime hediondo e que a justiça ia fazer o seu caminho. Disse foi chato ver familiares dos atletas agredidos, e meus também, a ligar preocupados. Os meus familiares também me ligaram a perguntar se tinha sido agredido», afirmou.
 

Bruno de Carvalho lembrou ainda outro episódio: «Em 2011 ganhei as eleições e às 5 da manhã perdi. Havia pessoas indignadas em Alvalade e eu, o maior prejudicado, pedi para pararem e ir para casa. Sempre tive esta atitude em momentos de grande tensão».
 

O antigo presidente dos leões apontou ainda o dedo à magistrada do Ministério Público na fase de investigação. «Há um juiz em novembro de 2018 que passa um mandato de busca e apreensão. Não tem a ver com detenções. É objetivo. A magistrada, passado dois dias desse mandato, decide por si, e a lei permite, fazer ela um mandato de detenção, com base em suposta acusação de terrorismo, que permitiu irem à noite a minha casa, violentar-me, e à minha família, tentando a humilhação total. Detenção em casa e com a família a ver. Estivemos duas horas em casa à espera de um cão farejador de droga. Duas horas, com a minha filha a ver-me detido, à espera de um cão farejador de droga. O que tem a ver com Alcochete?», questionou, lamentando os episódios ocorridos com os seus pais: «Os meus pais foram ameaçados, o meu pai recebeu mensagens privadas… e eles, que gostam de dar voltinha ao jardim, anteciparam em muito o confinamento. Passou a ser impossível, eram confrontados pelas pessoas.»
 

Bruno de Carvalho reforçou que a sua expulsão de sócio não teve a ver com o ataque à Academia - «Nada teve a ver com Alcochete mas com violação de estatutos», disse… - e lembrou os dias que passou detido: «Era incapaz, enquanto ser humano, pai e filho, de fazer o exercício de negação de justiça total. Exemplos: nunca fui ouvido na investigação. Depois prenderam-me. Quatro dias sem banho, espaço minúsculo, cheiro a fezes, coisa desumana… Isto que me está a acontecer é possível?».
 

A finalizar, voltou a assumir o desejo de voltar ao Sporting: «Parece que não tenho direito… Oiço pessoas a dizer que Bruno no Sporting nunca mais. Parece que não tenho o direito. Claro que sim! Gostava de poder, com calma, justiça e clareza, demonstrar às minhas filhas que não é por sermos perseguidos que devemos deixar de lutar pelos nossos sonhos.»
 

Na entrevista, Bruno de Carvalho ficou comovido pela intervenção da sua mãe, Ana Azevedo de Carvalho. «É homem com H grande. Ninguém lhe tirará a dignidade. Tiraram ao meu filho aquilo que sempre teve, uma vida estável», disse.

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