«Não há sonhos idiotas»

Judo 20-11-2019 09:11
Por Miguel Candeias

A judoca Telma Monteiro foi a convidada de mais uma sessão do programa lançado pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, Desportista no Palácio. Alunos do secundário das escolas Dr. José Afonso (Seixal), Luís de Camões (Constância) e Pedro Ferreiro (Ferreira do Zêzere) ouviram histórias e filosofias de vida e treino da medalha de bronze nos Jogos do Rio-16.


Escutaram os êxitos e motivações que a fazem estar no top mundial há 15 anos, mas sobretudo dos percalços, lesões e dissabores que a levaram a não desistir e querer sempre ser melhor. Eram 120 pessoas num silencio absoluto. Entre elas duas caras que, face às reações, distinguiam-se. Marcelo - veneração e orgulho. De sorriso rasgado, absorvia cada palavra da pentacampeã europeia. Quase que só tendo pena de nunca ter treinado e subido ao pódio a seu lado.


A outra, a da irmã de Telma, Ana - emoção e saudade. Ex-judoca, os olhos encheram-se e ganharam brilho quando a mais nova recordou o início de ambas na modalidade, o desejo de, vivendo num bairro social, viajarem pelo mundo através do desporto, assim como as dificuldades de treinar num clube onde o tatami era pequeno e tinha buracos.


«Tenho estado a falar de momentos menos positivos porque falar de quando ganhei era fácil e não estamos aqui para contar quando as coisas aconteceram sempre bem», salientou a melhor judoca lusa da história, enquanto mencionava desaires e um par de ocasiões em que ponderou o abandono.


«Quando queremos muito uma coisa temos de pôr o melhor de nós em tudo o que fazemos. Mas podemos dar o melhor todos os dias e não consegui-lo. Não posso dizer-lhes que sempre que derem o máximo irão conseguir, porque não é verdade. Mas no caminho aprenderão algo mais e têm de estar preparados. Acreditem que em todos os Jogos Olímpicos em que não fui bem-sucedida tentei. Dei o melhor, mas não consegui. Melhorei, cresci como pessoa e atleta e conquistei outras coisas», afirmou a atleta do Benfica.


«A mensagem é que podem ser o que quiserem. Nada é absurdo. Têm é que trabalhar e dedicar-se muito. Priorizar. Quis ser atleta e estudar [licenciada em Educação Física com pós-graduação em Gestão e Marketing]. Saí menos à noite com os amigos, viajei menos de férias… Foi opção. Não há sonhos idiotas, principalmente nesta idade», acrescentou antes de um vídeo recém-lançado pelo COI intitulado Apenas falhas quando deixas de tentar.


As imagens são as derrotas de Telma nos Jogos de Atenas-04, Pequim-08 e Londre-12 até à conquista do bronze no Rio-16. «Há pouco tempo estava na Austrália. Ia competir. Quando acordei vi este vídeo. Tirando o de Londres-12, foi a primeira vez que assisti aos combates que perdi nos Jogos. Demorei 12 anos a conquistar a medalha olímpica. A mensagem é: só perdemos quando deixamos de tentar e o facto de ter esperado foi difícil. Foram derrotas pesadas. Quando me perguntaram o que senti ao ver o vídeo não sabia responder. Foi como se estivesse a experienciar outras vez aquelas derrotas», contou a quatro vezes vice-campeã mundial.


«Porque não desisti? Foquei-me sempre no presente. Enquanto pudesse alcançar a medalha olímpica nunca iria fazê-lo. Nunca desistam de alcançar os vossos objetivos, mas têm de dar tudo», reforçou.


Depois Marcelo fez saber que ali à frente tinham alguém que «conseguiu várias vezes desmentir aqueles que achavam que não era possível reinventar-se.» «Reinventou-se!»

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