Em apenas ano e meio SAD antecipou metade das receitas televisivas relativas a dez épocas

FC Porto 20-11-2019 09:05
Por Paulo Pinto

Face ao rombo provocado pela eliminação precoce da Liga dos Campeões, a SAD do FC Porto viu-se na obrigação de realizar nova engenharia financeira para evitar que as contas resvalem para o vermelho e, ao mesmo tempo, garantir liquidez para honrar os compromissos com o pessoal e fornecedores durante a época em curso.


A Administração presidida por Pinto da Costa recebeu esta semana um novo adiantamento de 30 milhões de euros relativos aos direitos de transmissões televisivas do contrato realizado com a Altice no valor global de 457 milhões de euros, a que se podem juntar mais 20 milhões em janeiro próximo. Esta emissão de obrigações, que envolve a cedência de futuras receitas à Sagasta, junta-se à operação de 100 milhões levada a cabo com a mesma entidade em maio passado.

 

A questão é que, analisando as contas ao pormenor, a SAD do FC Porto já recebeu um adiantamento de mais de metade dos valores contratualizados, isto se acrescentarmos a esses números 60 milhões de euros que a administração portista anunciou ter sido adiantados pela Altice até 30 de junho de 2019 e outras movimentações na ordem dos 41,7 milhões de euros com fundos criados por entidades como Star Fund, Ecotonian e Bankhaus Bodence.

 

Na prática, cerca de 251,7 milhões de euros do bolo de 457 milhões de euros oferecidos pela Altice pelos direitos televisivos e demais benesses (ver quadro em anexo) já foram antecipados em apenas ano e meio, um montante de deveria ser distribuído por dez temporadas.


Muito provavelmente a SAD estará a salvaguardar as contas de uma derrapagem perigosa que podia ter efeitos nocivos perante novo incumprimento do fair play financeiro, mas os responsáveis azuis e brancos partem sempre do pressuposto de que terão resultados positivos nas provas europeias e que esta engenharia servirá de almofada financeira.

 

O problema é que as previsões, por vezes, não batem certo, como se verificou inclusivamente neste arranque de temporada, com a eliminação da Champions League.


MINIMIZAR DANOS NO IMEDIATO
O balão de oxigénio proporcionado pelos 50 milhões de euros de mais um adiantamento das receitas televisivas, percebe-se, servirá para dar liquidez financeira no imediato, tanto mais que o orçamento para 2019/2020 prevê custos operacionais de 135 milhões de euros. Ainda por cima, a equipa está a realizar uma campanha aquém das expectativas na Liga Europa, prova que oferece prémios monetários substancialmente inferiores aos atribuídos pela UEFA a quem joga na Champions.

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