O guarda-redes por Kyle Walker

O Mundo dos Guarda-Redes 08-11-2019 22:52
Por Roberto Rivelino

Até no topo os mais experientes guarda-redes estão expostos ao erro. Claudio Bravo viu a bola, arregalou os olhos com o gáudio de se fazer destaque por intercetar uma bola a 30 metros da baliza, chegou mais tarde que o adversário e fez um carrinho. Vermelho direto e do banco saltou Kyle Walker, velocista habitual pela ala direita do Manchester City (Ederson Moraes havia sido substituído por lesão ao intervalo). Para o adversário que ia cobrar o livre a decisão pareceu fácil: chutar para o lado mais seguro quanto à trajetória e provocar o erro de alguém desconhecido quanto à posição de guarda-redes. Contudo, Kyle Walker teve o comportamento de quem anda no Futebol de olhos bem abertos: não se mexeu a té ver a bola e esta foi ter com o seu corpo – aí, recebeu a bola com as pernas abertas, bloqueando o remate prensando os braços contra as coxas/joelhos.

A decisão parece fácil, por ter sido executada de maneira fácil, mas são inúmeros os casos de guarda-redes que se posicionam no espaço adequado e ainda antes da bola partir, movem-se para distâncias e zonas diferentes e ficam sem chance de defesa perante remates que normalmente encontrariam o caminho da primeira decisão posicional. Este aspeto requer muito do controlo do guarda-redes quanto às emoções que vive e quanto ao que pode esperar do adversário naquela situação, mas deve agir sempre por antecipação e não por intuição. Kyle Walker, vivido de Futebol e de guarda-redes (já teve as costas defendidas por Hugo Lloris, Joe Hart, Jordan Pickford, Ederson Moraes, Claudio Bravo…), percebeu tudo isso para aquisição cognitiva e colocou em prática num jogo de Champions League, num momento em que estava tudo menos preparado para sair do banco diretamente para a baliza e segurar o empate a uma bola frente à Atalanta.

 

Giorgi Makaridze com nota de rendimento

A carreira deste guarda-redes é um sobe e desce constante e a ele não se alheiam culpas disso. Contudo, pelo status quo criado quanto aos guarda-redes em Portugal recebe várias vidas e na baliza do Estádio do Bonfim está a justificar elogios pelo crescendo de rendimento nas jornadas de reação após a derrota frente ao Benfica, com erro com golo sofrido. Nele se vê potencial para resvalar problemas na última instância – já quase em cima da linha de golo -, e só não conseguirá tornar-se regular caso baixe os índices de desempenho no trabalho – treino e jogo -, focando-se naquilo em que tem capacidades e não procurando resolver tudo o que lhe é afrontado. Não foi acaso o ponto conquistado nos Açores frente ao CD Santa Clara nem o triunfo contra o Boavista, com intervenções decisivas e com o nível desejado num guarda-redes para dar pontos.

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