Murphy conquista China Championship após final épica (10-9)

Snooker 29-09-2019 16:51
Por António Barroso

O inglês Shaun Murphy, de 37 anos, oitavo da hierarquia (e campeão mundial em 2005) venceu o China Championship, prova da época 2019/2020 da World Snooker, ao vencer numa final que foi hino deste desporto, disputada este domingo em Guangzhou o galês Mark Williams, de 44 anos, terceiro do ‘ranking’ (e tricampeão mundial, 2000, 2003 e 2018), por 10-9.

 

É o oitavo título de Shaun Murphy em provas de ‘ranking’, e confere-lhe acesso à próxima edição da Champion of Champions, na qualidade de vencedor de um torneio da presente temporada, e foi conquistado diante de um galês que tentava o seu 23.º troféu em provas de ‘ranking’, e diante do qual o inglês está agora empatado em confrontos diretos: 28 jogos, 14 vitórias de cada um deles.

 

Shaun Murphy sucede ao escocês John Higgins (2016), ao belga Luca Brecel (2017) e ao compatriota Mark Selby (2018) a inscrever o seu nome entre os vencedores do prestigiado torneio. Mais importante, o ‘mágico’ Murphy quebra um jejum de dois anos sem vencer um torneio de ‘ranking’, desde o Open de Gibraltar de 2017.

 

Murphy quebrou ainda o enguiço e à terceira final consecutiva em solo chinês esta temporada – perdeu as do International Championship para Judd Trump (3-10) e do Xangai Masters para Ronnie O’Sullivan (9-11) – arranca indiscutível, moralizadora e justa conquista, após uma final em que entrou melhor e recomeçou melhor, a comprovar que após época para esquecer (2018/2019), está agora… quase intratável. Mas teve se sofrer, ante um campeão que é Williams.

 

Uma entrada de 64 pontos a limpar a mesa, para o 2-0, logo de entrada, marcou a prestação de Murphy, e mostrou a Williams que o rival não estava para brincadeiras: determinado, rosto fechado, assertivo a defender e mortífero no jogo ofensivo longo. Resposta do galês, com entradas de 73 e 70 pontos, respetivamente, para o 2-2.

 

A 3-3, Mark mostrou porque encanta nas mesas, como John Higgins e Ronnie O’Sullivan, já há 28 anos (desde 1992): entrada de 143 pontos, para o 4-3, e Williams pela segunda vez em vantagem, depois do 3-2. Mas o inglês, com ‘break’ de 64, selou o 4-4 logo após e assegurou vantagem (5-4) para a segunda sessão do duelo com a resposta à altura: entrada centenária, também, 134 pontos.

 

A segunda parte da final começou com Murphy a ter felicidade na bola rosa (cruzou-a à tabela, mas foi entrar no lado contrário ao desejado) mas a falhar a preta e deixá-la para Mark fazer o 5-5.

 

Foi, depois, a altura de Murphy descolar: o galês deixava jogo quando falhava no ataque, ao contrário do inglês, e foi punido com três parciais de rajada para Murphy, com entradas de 75, 76 e a sua segunda centenária desta final (499.ª da carreira), de 103 pontos, a disparar para… 8-5.

 

Tudo decidido com a aceleração e sapatada de Murphy no jogo: Williams sistematicamente a claudicar em concluir os ‘frames’ numa só visita à mesa… e Shaun a não perdoar logo a seguir e acabar tudo com autoridade: limpeza de mesa, para não variar, com entrada de 79 pontos, quarto parcial de rajada para as suas cores, e ficar a um da vitória, com o 9-5.

 

Era uma questão de tempo, agora, com Williams obrigado a ganhar cinco em cinco possíveis parciais desta final. O brio do galês, e psicologicamente importante, veio com entrada de 73 pontos para atenuar a 6-9, na 15.ª partida… sem deixar de estar encostado às cordas. Tempo - quase uma hora – teve de sobra o 16.º parcial, antes de Williams continuar ainda a respirar, com o 7-9.

 

Enorme batalha tática e de nervos, com Murphy a embolsar pelo meio azul com enorme felicidade (foi jogada… para o meio) na 17.ª partida. Shaun anotou bela combinação de vermelhas, que lhe permitiu atacar a verde… mas preferiu defender e veio terceiro parcial de rajada para Williams, a encostar a 8-9, e devolver emoção plena ao duelo.

 

A confirmar ser esta final das melhores jornadas de propaganda desta variante do bilhar, Williams cruzou espantosa vermelha para anotar nova entrada centenária, de 132 pontos, a limpar a mesa, para o 9-9 e forçar a ‘negra’, após quatro parciais ganhos desde 5-9. Rendidos aos campeões.

 

No decisivo 19.º parcial, com o fantasma de Murphy ter perdido as cinco finais anteriores disputadas – e Williams ganho as últimas cinco -, o galês viu Murphy disparar um tiro de longe a uma vermelha e ir até aos 69 pontos. Mark já precisava de uma falta do seu rival (além de embolsar todas as bolas da mesa) para ainda vencer. Foi até aos 30 mas deixou vermelha para Shaun selar a vitória com belo tiro para o canto da verde: final memorável de final… época, com Williams a estender de imediato a mão ao seu adversário.

 

O China Championship, prova da época 2019/2020 da World Snooker pontuável para o ‘ranking’, iniciou-se dia 23 e terminou este domingo, dia 29 do corrente mês, na cidade chinesa de Guangzhou. Distribuiu 751 mil libras (843.129 euros) de prémios, das quais 150 mil libras (168.401 euros) ao campeão, Shaun Murphy, e 75 mil libras (84.201 euros) ao vice-campeão, Mark Williams.

 

O próximo torneio da época 2019/2020 da World Snooker é o Open de Inglaterra, de 14 a 20 de outubro em Crawley (Inglaterra), e que distribuirá 405 mil libras (454.683 euros) de prémios, 70 mil libras (78.587 euros) ao campeão. Stuart Bingham venceu em 2018 (9-7 a Mark Davis na final).

 

A prova, que como o China Championship terá transmissão para Portugal (EuroSport) marca novo regresso à competição do número dois da hierarquia e pentacampeão mundial inglês Ronnie O’Sullivan, de 43 anos, vencedor do Xangai Masters… e de seis dos últimos 12 torneios em que participou, entre a pretérita temporada e a presente. Fasquia bem lá no alto.

 

Final do China Championship, este domingo (campeão a negro):

Shaun Murphy-Mark Williams, 10-9

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