Uma baliza para dois

Vitória de Guimarães 12:12
Por Carlos Vara

Desde que a temporada começou, o Vitória de Guimarães realizou já 13 partidas a nível oficial e nesta cadência de jogos ainda não se descobriu com nitidez o indiscutível número um na baliza. Talvez esse estatuto não exista mesmo.


Certo que Miguel Silva foi titular frente o Standard Liège e ganhou preponderância na luta tão peculiar com Douglas, mas a diferença entre a presença os dois guarda-redes está limitada a apenas um jogo - antes do encontro da Liga Europa o tempo de utilização era rigorosamente o mesmo.


Não é normal a rotatividade na baliza ser explorada de forma tão flagrante, mas Ivo Vieira não tem hesitado em recorrer aos dois guarda-redes. Fá-lo sem obedecer a uma lógica elementar, como utilizar um no campeonato e outro na Liga Europa, selecionando aquele que considera em melhores condições para enfrentar cada jogo. Na visão do treinador, portanto, os guarda-redes são elementos comuns do plantel, como os centrais ou os avançados, e esse aspeto habilita-os a uma luta muito pessoal treino a treino, jogo a jogo.


Ricardo, que durante muitos anos defendeu as redes da Seleção Nacional e representou Sporting e Boavista, reconhece que a partilha da baliza nestas condições não é comum mas aceita-a.


«Provavelmente o Ivo Vieira considera que Douglas e Miguel Silva estão ao mesmo nível e oferecem-lhe grande confiança. Nada vejo de errado nessa seleção do treinador», adianta o antigo internacional português.  


De qualquer forma, Ricardo considera que os dois guarda-redes têm de gerir muito bem situação tão peculiar. «Se fosse eu não gostava muito de entrar e sair da equipa, mas por outro lado a competição cria um estímulo muito particular e isso deve agradar ao treinador.»


O antigo internacional de 43 anos admite que a seleção de Ivo pode obedecer a critérios muito específicos, como por exemplo o facto de um jogar melhor do que o outro com os pés e perante determinado adversário o treinador considerar essa faculdade ser vital. Ricardo, de resto, acha imensa piada ao tema.
«Hoje qualquer guarda-redes é muito solicitado nesse aspeto, mas no meu tempo isso não acontecia. Eu aventurava-me a sair da baliza e a jogar com os pés e muitas vezes chamavam-me maluco, hoje já é normal…»  


Pode o antigo internacional ser eleito como um pioneiro? O nosso herói do jogo com a Inglaterra no Euro-2004  solta uma gargalhada. «Talvez fosse apenas diferente.»
 

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