Pichardo controlado no Jamor

Atletismo 13-09-2019 09:24
Por Sofia Coelho

Pedro Pablo Pichardo apareceu com o papel da ADoP (Autoridade Antidopagem de Portugal) na mão, pedindo desculpa pelo atraso… O recordista nacional do triplo acabara de ser submetido a um controlo antidoping inopinado, no local onde decorria a apresentação das Seleções para os Mundiais de atletismo de Doha e para os Mundiais do Comité Paralímpico Internacional, na Tribuna de Honra do Estádio Nacional.


«Não há problema. Não me incomoda. É bom que façam muitos controlos, para verem que estou limpo. Peço desculpa de vos ter deixado à espera», desvalorizou o atleta do Benfica, com um discurso já muito mais próximo do português do que quando chegou ao País, em abril de 2017. «Quantas vezes já fiz controlos antidoping este ano? Não sei, muitas, muitas vezes. Vão ao local onde treino, a minha casa, às seis da manhã… O meu pai sabe. Ele é que costuma abrir a porta», contou, rindo, com o progenitor e treinador, Jorge Peralta, a apontar 15 visitas da AdoP este ano. Nascido em Cuba e naturalizado no final de 2017, Pichardo vai estrear-se por Portugal num Mundial, depois de já ter saltado no Europeu de Nações, em agosto, contribuindo para a subida da Seleção à Superliga (a elite da prova). Será um dos 15 portugueses a competir em Doha (Catar), de 27 deste mês a 6 de outubro, agora a lutar pela medalha individual… E assumindo que não ficará satisfeito com a prata. «Nem com o bronze! Quero ganhar o ouro, foi para isso que trabalhei. Se regressar com a prata, vão perceber que não estou totalmente feliz», disse, esperando uma boa receção dos portugueses caso volte de medalha ao peito. O 5.º atleta de sempre no triplo (18,08 m), 4.º este ano (17,53), recordista nacional (17,95 m) e que já foi vice-campeão mundial por duas vezes (2013 e 2015) terá a companhia de Nélson Évora (campeão olímpico de 2008 e atual ouro europeu) no triplo, em Doha. O presidente federativo, Jorge Vieira, assumiu a expectativa de ver os dois no pódio. Pichardo fala apenas por si…


«Da minha parte, penso que é possível. Estamos a trabalhar bem. Tento sempre fazer um bom resultado, tento sempre ganhar e é o que farei no Mundial», anteviu, acreditando que «vai ser preciso passar os 18 metros para ganhar uma medalha». «E espero que seja eu!», acrescentou, sem medo dos norte-americanos que têm dominado este ano, Christian Taylor e Will Claye, e aproveitando para se testar para os Jogos Olímpicos Tóquio-2020, para os quais já tem marca. «A partir de agora, os atletas que estão a saltar serão os mesmos dos próximos quatro anos. Será um teste e estou a preparar-me muito bem para fazer um bom trabalho.»


O mesmo discurso confiante foi adotado por Patrícia Mamona,  recordista nacional do triplo, 6.ª no  Rio-2016 e campeã europeia nesse ano. «A competição está muito aberta. A atleta que fez os 15,41 m [Yulimar Rojas, 2.ª marca de sempre] não ganhou a final da Liga Diamante. É uma questão de estarmos no melhor quando importa. Acho que farei um bom resultado, mas não sei a que classificação vai corresponder», sublinhou a detentora de 14,65 m (14,37 m este ano, marca para os JO Tóquio), registo que acredita ter de ser superado para «ficar num bom posto na final».
Pela primeira vez, Portugal terá três atletas no triplo de uns Mundiais. Além de Mamona, saltam a olímpica Susana Costa e a estreante Evelise Veiga. «Seria fantástico estarmos as três na final, tal como quando eu e a Susana estivemos na final olímpica [2016]. Seria um sonho, uma prova que somos mesmo das melhores do mundo.»
 

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