Partir pedra: o caminho mais difícil

O Mundo dos Guarda-Redes 29-08-2019 09:00
Por Roberto Rivelino

O treinador tem a sua opinião. O treinador de guarda-redes idem. Tal como o guarda-redes. Cada uma delas tem o seu peso: o primeiro decide, o segundo ajuda a decidir em trabalho de equipa com os restantes elementos do staff e o terceiro joga ou não, acatando ou não as escolhas dos anteriores. Por consequência, a opinião do guarda-redes sobre o que é o seu jogo ou a sua prestação é consubstanciada pela equipa técnica e também pela opinião pública ou perceção geral do que foi a sua exibição (em doses diferentes, mediante a personalidade deste). Neste capítulo, olho e gabo a missão de Pedro Alves – técnico específico de Belenenses SAD-, que tem no seu dia-a-dia a motivação de chamar à terra Hervé Koffi, um guarda-redes que foi eleito o melhor em campo em duas das três jornadas já disputadas… quando conseguiu proteger a baliza mesmo ao expor as graves lacunas que exibe na abordagem ao jogo.

 

Este é um dos grandes perigos na avaliação ao guarda-redes pela opinião pública e, pela terceira jornada consecutiva – agora, frente ao Santa Clara (0-0) -, a falta de referências de baliza (noção que deve ser incutida desde a formação e deve ser básica para qualquer executante na defesa de remates), foi apagada pela ineficácia adversária – a exemplo, o voo vistoso protagonizado a uma investida exterior de Osama Rashid (reconhecido executante), em que mais de metade da baliza se encontrava disponível para o golo -, e pela eleição como protagonista-mor do jogo.

 

Enquanto guarda-redes há dias em que, estando na plenitude das capacidades, pode acontecer algo de mal, como também se pode ser herói num dia em que os erros acabam por não ter consequência (o golo). É aqui que se afigura a nada invejável posição do treinador de guarda-redes: como confrontar o jogo do guarda-redes quando os caminhos para a defesa foram percorridos em contramão e mesmo assim este saiu como figura do encontro? Na cabeça do guarda-redes só existe o resultado estanque (golo ou não golo), e a moral recebida (jornais, televisão, redes sociais - amigos e seguidores), enquanto no cérebro do técnico específico existe o que foi feito e o que podia ser feito – caminho este que levará a tomadas de decisão com consistência (logo, deduz-se, sucesso maior).

 

O papel não deve ser o do professor de matemática – futebol (e muito menos o treino e o jogo do guarda-redes), não é ciência exata e para diferentes problemas também existem diferentes formas para obter o mesmo resultado -, e chamar à terra alguém que anda no céu é das tarefas mais espinhosas para quem trabalha integrado, sem ser ilha, mas península: todos os dias ter de se envolver com os restantes elementos, fazê-los perceber onde há mais e menos e questionar e mentalizar para se conseguir sucesso com maior critério (e logo, maior durabilidade).

 

Defesa da jornada

Douglas Jesus – Vitória SC 1-1 FC Famalicão – 82’ – Um-para-um

 

Avaliação da defesa: 7 (sete)

 

01 – Momento em que Anderson ganha a frente e parte para a baliza; Douglas Jesus recua percebendo a chegada iminente dos colegas à ação do adversário, que parte com bola desde o meio-campo;

 

 

02 – Momento do remate de Anderson; Douglas Jesus não retira mais profundidade ao perceber a chegada de cobertura e limitação do adversário, fixa os apoios (frontais ao lance), e prepara-se para a investida em posição-base média

 

 

Vídeo da defesa:

 

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