Analisar o guarda-redes, pensar e dar tempo

O Mundo dos Guarda-Redes 16-08-2019 09:00
Por Roberto Rivelino

Vários motivos levaram à exaltação de guarda-redes na primeira jornada do campeonato: Hervé Koffi foi o melhor em campo no jogo entre Belenenses e Portimonense, num jogo em que o que lhe foi exigido acabou por ser enaltecido devido a performances de menor relevo; Agustín Marchesín foi espetacular numa dupla-defesa (a primeira está destacada como Defesa da Jornada com nota seis), e fez olvidar outros momentos de maior trepidação (um controlo de profundidade pecador na segunda parte seguido por uma intervenção que não provocou outro golo por interceção de Pepe); enquanto Rafael Defendi se transcendeu e segurou três pontos no jogo do Famalicão frente ao Santa Clara (2-0), começando a temporada com as decisões de maior qualidade - a par do vigilante Ricardo Ferreira (Portimonense), controlador de profundidade em três situações de quesito.


A viagem por estes nomes e descrição de jogo serve para a introdução ao tema: falar dos guarda-redes pode levar a excitações medidas só a dois polos - o excelente e o precário, sem presença de outros níveis de julgamento. Quando se olha para as execuções do guarda-redes tem de se procurar por referências e questionar-se a motivação das exigências que lhe foram propostas a cada lance - por exemplo, as defesas de Marchesín frente ao Krasnodar nesta segunda mão: foram positivas (defendeu), mas o mérito do guardião é, principalmente, o demérito adversário (primeiro oferecendo a baliza no cruzamento que antecede o remate a curta distância aos 51’ e depois ao abordar o um-para-um tão distante da baliza e com a chegada de cobertura defensiva aos 84’ - tal como aconteceu no golo de Lourency em Barcelos (situação mais complexa), e no segundo golo dos russos), e perceba-se a distância qualitativa para as intervenções de Rafael Defendi nos Açores (conhece a vantagem do adversário, estabelece o seu perímetro de intervenção, temporiza e espera pela decisão para se decidir e protagonizar a sua ação).

 

Nestes momentos tão complexos - olhar e analisar o que acontece na defesa da baliza -, qualquer elemento que oferece ou deixa ao dispor análise de futebol deve começar a perceber a consistência na abordagem do guarda-redes a referido momento de jogo e a qualidade na tomada de decisão, que deve ser tomada após a investida do oponente e limitando-lhe as chances de golo ao cobrir o ângulo que se imagina entre os dois postes da baliza e a bola (a chamada bissetriz do ângulo bola-baliza).

 

1.ª jornada: Agustin Marchesin (FC Porto)

Gil Vicente, 2-FC Porto, 1 (28')

 

Classificação da defesa: 6

 

Desvio lateral

 

1- Posição inicial de abordagem ao esquema tático defensivo - livre lateral a ser cobrado em pé aberto (esquerdo); Agustín Marchesín em posicionamento intermédio, perto do limite da pequena área, com os apoios ligeiramente na diagonal e em posição-base média-baixa


2 - Momento do cabeceamento - Agustín Marchesín recuou para perto da linha de baliza após perceber não conseguir intercetar o cruzamento; Quando Sandro Lima protagoniza o cabeceamento, o guarda-redes encontra-se com os apoios no ar, o que dificulta o seu tempo de reação


3 - Execução de Agustín Marchesín em desvio lateral, mostrando capacidade física para a intervenção: apesar de ainda ter fixado os apoios após a ofensa adversária, conseguiu intercetar a bola ainda que não o tenha feito com a qualidade desejável - movimento manual ascendente e desvio da bola para fora da zona de perigo (para a lateral ou diagonal)
 

Critério: A defesa da jornada é escolhida por um critério de pesagem entre execução técnica, interpretação tática e complexidade da tomada de decisão.
 

Roberto Rivelino: criador do site ‘O mundo dos guarda-redes’

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