É cada vez mais difícil ser-se guarda-redes português

O Mundo dos Guarda-Redes 23-06-2019 17:51
Por Roberto Rivelino

Vários olhos vêm o Mundial sub-20 como uma preparação para o futuro da seleção de Portugal nos mais variados setores. Uma das questões que se levanta é sobre a sucessão de Rui Patrício, que mesmo numa faixa etária mais velha apenas encontra em Beto Pimparel ou Anthony Lopes competição com experiência no futebol de seleção – que Fernando Santos tão bem diferenciou recentemente por estas páginas.

Nesta edição de 2019, João Virgínia foi o titular absoluto. Antes haviam por lá passado nomes como Diogo Costa, André Moreira, José Sá, Mika Domingues, Rui Patrício ou Quim – para não mencionar mais -, e na senda do sucesso destes encontram-se várias montanhas impeditivas da conclusão do que fora um passado promissor.

Excetuando Rui Patrício – que encontrou o sucesso após inúmeras lutas (a tolerância de Paulo Bento no Sporting e mais tarde a proteção dada no Mundial’2014 frutificaram a conquista do Europeu e a temporada de nível na Premier League) -, e Quim – alma mater de dois campeonatos no Benfica e internacional em 32 ocasiões na categoria principal -, o que se segue a estes nomes é um apagar de chama, uma desvalorização até à queda no esquecimento, sendo Mika Domingues o caso mais forte de como não há espaço nem tempo de jogo para o guarda-redes português em Portugal.

Luva de Ouro do Mundial de 2011 – o único na história do país -, é hoje um guarda-redes talvez desacreditado e sem oportunidades para colocar em campo as suas capacidades, tendo passado uma temporada a escudar o brasileiro Muriel Becker. José Sá encontrou no Olympiacos a escapatória após tempos infinitos atrás do francês Romain Salin, do suíço Johnny Leoni ou do brasileiro Wellington Lima no Marítimo - o mesmo no FC Porto atrás de Iker Casillas. André Moreira é ioiô nas mãos de questões burocráticas, esfumando um potencial nas mãos das decisões de outrem… e João Virgínia compete no campeonato sub-23 de Inglaterra.

Vive-se um status quo em Portugal de que o guarda-redes estrangeiro é mais capacitado e olvida-se de atirar para o jogo (que é onde mais se desenvolve o guarda-redes), o canterano, partindo do pressuposto de que não está preparado. Perdem-se gerações, perdem-se expectativas e perdem-se exemplos. O que seria de Vítor Baía sem jogo?

 

Mundial sub-20 – Destaques

 

Andriy Lunin (Ucrânia – Real Madrid)

Foi o Luva de Ouro, a somar à conquista da prova. Forte capacidade física (além dos 191cm é veloz na execução e na reação), e faz-se gigante no encurtamento de ângulos. Não acusou a falta de jogos e deverá continuar o crescimento em equipas de perfil defensivo. É o seu perfil – destinado a defender e não a circular, distribuir ou construir. Defendeu um penalti.

 

Radoslaw Majecki (Polónia – Legia)

A envergadura (193cm), e a facilidade com se move. O controlo e a espera pela decisão sem ceder à intuição. O desejo de jogar e o posicionamento desafiante (sem perder referências). Tudo indicadores do que mostrou nos quatro jogos disputados e de quem pode ser trabalhado para um futuro promissor em campeonatos mais exigentes que o polaco.

 

Alessandro Plizzari (Itália – AC Milan)

Tem muita baliza e consegue retardar as decisões para o último grito graças a uma velocidade de execução vertiginosa. Vem na linha de Gianluigi Donnarumma – forte na pequena área e limitado no controlo do restante espaço -, e é um verdadeiro bloqueador de bolas por se encontrar no caminho de quase todos os remates endereçados – tem muita baliza (e por isso potencial para ser melhor trabalhado). Pegou duas grandes penalidades.

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