Governo em conversações com RDCongo «para entender» detenção de 12 supostos membros dos grupos armados

Moçambique 18-06-2019 17:06
Por Lusa

O Governo moçambicano anunciou hoje que está a trabalhar com a República Democrática do Congo (RDCongo) «para entender» a situação dos 12 moçambicanos detidos naquele país por suspeita de envolvimentos na violência armada no norte de Moçambique.

 

«O Governo está informado da existência de 12 moçambicanos detidos na RDCongo e estamos a trabalhar parte a parte pela via diplomática e com as Forças de Defesa e Segurança para entender o que está por detrás de tudo isso», disse hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, José Pacheco, falando à imprensa em Maputo.

 

A polícia moçambicana confirmou a detenção de 12 cidadãos moçambicanos no dia 12 de junho. Os 12 jovens foram aliciados por membros de grupos armados para se deslocarem à RDCongo com a promessa de continuarem os estudos, disse, na altura, a polícia moçambicana, citada pela Rádio Moçambique.

 

De acordo com José Pacheco, a ser provado o seu envolvimento, o grupo deve ser «responsabilizado».

 

«A confirmar-se que estariam num processo de treinamento e para evitar que cidadãos não sejam aliciados para violentar os seus próprios irmãos é necessário que haja a devida responsabilização», afirmou Pacheco.

 

A polícia diz que os moçambicanos foram recrutados na província de Nampula, no norte do país, vizinha da província de Cabo Delgado, que tem sido palco de ataques armados por parte de grupos desconhecidos, desde outubro de 2017.

 

De acordo com os números recolhidos pela Lusa, a onda de violência em Cabo Delgado já provocou a morte de cerca de 200 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança.

 

Estudos realizados sobre a origem dos grupos armados que protagonizam ataques no norte de Cabo Delgado indicam que têm ligações com grupos armados de inspiração 'jihadista' que atuam em algumas partes da RDCongo.

 

O Estado Islâmico difundiu este mês um comunicado reivindicando a autoria de um ataque que vitimou um número indeterminado de militares moçambicanos em confrontos em Cabo Delgado, entretanto negado pela Polícia da República de Moçambique.

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