Ex-Belenenses Valdiram encontrado morto

Brasil 22-04-2019 08:00
Por João Almeida Moreira

Valdiram, jogador que passou pelo Belenenses em 2003/04, foi encontrado morto, aos 36 anos, na manhã de ontem, na cidade de São Paulo. Segundo reportagem da TV Bandeirantes, o corpo do antigo ponta de lança, que vivia nas ruas há anos, tinha sinais de espancamento mas as causas da morte continuam desconhecidas. Foram outros sem abrigo que reconheceram o cadáver no Instituto de Medicina Legal da cidade.


«O Vasco da Gama comunica, com pesar, o falecimento de Valdiram. Ele tinha 36 anos. Valdiram chegou ao Vasco em 2006 contratado ao Esportivo, do Rio Grande do Sul. Logo se destacou, tendo terminado como melhor marcador da Copa do Brasil daquele ano, quando o Gigante da Colina terminou com o vice-campeonato. A sua passagem por São Januário encerrou-se em 2007», escreveu, em comunicado, o clube carioca da colónia portuguesa do Rio.


«Ram, ram, ram, matador é Valdiram», gritava a torcida do popular Vasco quando Valdiram, então a fazer dupla com ninguém menos do que Romário, se sagrou melhor marcador da Copa do Brasil. Antes, passara sem especial sucesso pelo Belenenses, onde marcou golos na Liga 2003/04 a Alverca e Rio Ave, numa equipa comandada ao longo do ano por Manuel José, Augusto Inácio e Vladislav Bogicevic. Na altura foi notícia pela acusação contra si por violação.
Há dois anos, por viver de esmolas no bairro carioca do Bonsucesso e dormir em cima de papelão protegido pelo toldo de um restaurante, ao lado de meia dúzia de outros sem abrigo, Valdiram mereceu atenção. Em reportagem do jornal O Globo dizia, na época, que Deus estava sendo «duro de mais».


«Cocaína, maconha, prostituição, samba, pagode, funk, foi essa a minha vida», confessava Valdiram Caetano de Morais, nascido em Canhotinho, no sertão de Pernambuco.


Na altura, parecia em recuperação como membro de uma instituição evangélica, da qual se tornou pastor, mas sofreu recaídas consecutivas. E ficou sem possibilidades de regressar aos relvados depois de participar em apenas 27 partidas por 18 clubes de 2006 a 2011. Magro pela doença e martirizado por cirurgias no joelho, buscava na altura um emprego, no futebol ou não.
«Podia trabalhar numa escolinha de futebol enquanto bebo minha cachaça...», sugeria. 
 

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