Robertson vence Selby (9-8): nas ‘meias’ em Gales após hino ao snooker

Snooker 19-03-2019 23:15
Por António Barroso

O australiano Neil Robertson, de 37 anos, oitavo da hierarquia (e campeão mundial em 2010) é o primeiro qualificado para as meias-finais do Tour Championship, prova da época 2018/2019 da World Snooker que esta terça-feira se iniciou e decorre até domingo, dia 24 do corrente mês, em Llandudno (Gales) ao vencer o inglês Mark Selby, de 35 anos, número um do ranking há mais de quatro anos (49 meses) e tricampeão mundial (2014, 2016 e 2017) na negra e na última bola na mesa (a preta) por 9-8, no primeiro jogo dos quartos de final a concluir-se.

 

Na terceira prova da Taça Coral, reservada apenas aos oito primeiros do ranking a um ano, e na qual Ronnie O’Sullivan tenta o assalto ao número um mundial – terá de ganhar o torneio para ultrapassar Mark Selby – e igualar o recorde dos 36 títulos de ranking obtidos por Stephen Hendry, nada faria prever a queda do profissional de Leicester, que à tarde dera indicações de que seria difícil desapossá-lo do trono, tamanha a forma e excelência demonstradas à mesa perante Neil. Mas teve reverso à noite.

 

Robertson até começou melhor, chegou a 2-0, mas duas centenárias de Selby permitiram-lhe igualar ao intervalo da sessão da tarde (2-2), para, já a vencer por 3-2 - depois 4-2 -, o inglês aproveitar rosa falhada por Neil com 61-0 no sétimo parcial para limpar a mesa (preta incluída) e vencer por 65-61, selando o 5-2, e depois o 6-2 a terminar a primeira sessão, em que Mark esteve soberso, simplesmente intratável, ao seu melhor nível.

 

Poucos esperariam tamanha recuperação do australiano no recomeço do duelo de campeões mundiais, à noite, mas Neil Robertson ganhou mesmo as quatro partidas até ao intervalo de rajada para nivelar a 6-6. Fantástica recuperação. Após o último descanso do embate, o tom não mudou… e quinto (!) parcial de rajada para Neil voltar, sete horas depois, a liderar o jogo: 7-6.

 

Espetacular recuperação, a precisar de pelo menos três faltas de Neil (além de embolsar todas as bolas na mesa) conseguiu o número um mundial, Selby, no 14.º parcial, para vencer na preta (68-66) e igualar 7-7: o primeiro ponto da noite para o tubarão (Mark The Shark Selby), tensão ao rubro no Venue Cymru, em Llandudno, no norte de Gales. A confirmação de que Neil ver fugir o 8-6 foi momento determinante do duelo veio logo a seguir: tenta embolsar vermelha com combinação e falhou, para Selby tentar e ter calçadeira (ajuda de outra bola para a bola pretendida entrar no buraco): entrada de 53 pontos e o inglês na frente na altura crucial: 8-7.

 

Neste verdadeiro hino ao snooker, se alguém pensou que Neil estava derrotado, enganou-se: limpou a mesa, com centenária (136 pontos), 8-8, e forçou a negra. Aí, com 57-53 para o australiano, num frame que durou uma hora, Selby tentou cruzar duas vezes a preta na tabela para um dos buracos do meio: à segunda, caiu mesmo para o seu rival, que não perdoou e selou o 9-8. Alívio depois de tanta tensão: não se ouvia uma mosca na sala, vénia a dois extraordinários atletas e desportistas pelo show proporcionado.

 

Neil Robertson espera, na meia-final de sexta-feira (13 e 19 horas), pelo vencedor do embate entre o norte-irlandês Mark Allen, de 33 anos, quinto da hierarquia, e o inglês Kyren Wilson, de 27 anos, sétimo do ranking, que jogam os quartos de final na quarta-feira (13 e 19 horas).

 

O inglês Judd Trump, de 29 anos, sexto do ranking e o campeão mundial, o galês Mark Williams, de 43 anos (tricampeão mundial, aliás, em 2000, 2003 e 2018), terceiro do ranking, começaram na tarde desta terça-feira a lutar também por uma vaga nas meias-finais, em jogo que se concluirá na tarde de quarta-feira (13 horas) e cuja primeira sessão terminou empatada 4-4: tudo para decidir quarta-feira (13 horas).

 

Festival do Rocket: bem embalado ante Bingham (6-2) e... 1003 centenárias

 

Além da conclusão do duelo de Robertson e Selby, a sessão noturna desta terça-feira trouxe, na mesa ao lado, ainda o regresso à competição do inglês Ronnie O’Sullivan, de 43 anos, segundo do ranking e pentacampeão mundial (2001, 2004, 2008, 2012 e 2013), que mediu forças na primeira das duas sessões do seu jogo dos quartos com o compatriota Stuart Bingham, de 42 anos, 12.º da hierarquia (e campeão mundial em 2015), vencedor do Open de Gibraltar no último domingo, dia 17 do corrente mês.

 

O Rocket entrou com fome de bola: centenária número 1001 logo a abrir, para o 1-0 (111 pontos), 2-0 em duas visitas a pontuar, Bingham a reagir à campeão e igualar 2-2 ao intervalo, para Ronnie conseguir o 3-2 no reatamento e, com a 1002.ª centenária em 27 anos de carreira (113 pontos, na circunstância), fugir de novo no marcador e, a 4-2, ganhar embalagem e avanço.

 

E nova limpeza de mesa sublime (desta vez até com a bola preta) de O’Sullivan deu-lhe a 1003.ª centenária, o 5-2 e a certeza de que partiria, sempre para a decisão do duelo -quarta-feira, a partir das 19 horas - na frente do marcador. O 6-2 veio em menos de duas horas e um quarto de jogo, com entrada de 89 pontos… que só não deu terceira centenária de seguida por três vermelhas ficarem ensarilhadas. O vencedor do duelo entre Ronnie e Bingham encontrará Judd Trump ou Mark Williams na primeira meia-final, quinta-feira (13 e 19 horas).

 

O Tour Championship, no Venue Cymru, em Llandudno, Gales, atribui 375 mil libras (438.502 euros) de prémios: 150 mil libras (175.401 euros) para o campeão em ano de estreia deste novo e milionário torneio, a terceira e última prova da Taça Coral, após Judd Trump ter vencido o World Grand Prix e Ronnie O’Sullivan triunfar no Players Championship: ambos lideram os ganhos nesta série de três provas, com 130 mil libras (152.014 euros) cada um, em igualdade, e é bom lembrar que quem mais libras amealhar na soma das três conquista a Taça Coral.

 

Recorde-se o formato excecionalmente longo do Tour Championship, à laia do Mundial: os quartos são à melhor de 17 (até um chegar a nove, de 9-0 a possíveis 9-8) e as meias-finais à melhor de 19 - até um chegar a dez, de 10-0 a possíveis 10-9 - em duas sessões, e na qual, pela primeira vez sem ser no Campeonato do Mundo, a final será jogada à melhor de 25 parciais durante dois dias consecutivos e em três sessões (sábado, 19 horas, e domingo, 13 e 19 horas), até um vencer 13 parciais (de 13-0 a possíveis 13-12).

 

Quartos de final do Tour Championship, 3.ª e 4.ª (apurado a negro):

Mark Allen-Kyren Wilson (4.ª, 13h e 19 h)

Neil Robertson-Mark Selby, 9-8

Judd Trump-Mark Williams, 4-4 (conclusão 4.ª, 13 h)

Ronnie O’Sullivan-Stuart Bingham, 6-2 (conclusão 4.ª, 19 h)

 

Meias-finais:

Vencedor do jogo Judd Trump/Mark Williams-Vencedor do jogo Ronnie O’Sullivan/Stuart Bingham (5.ª, 13 e 19 h)

Vencedor do jogo Mark Allen/Kyren Wilson-Neil Robertson (6.ª, 13 e 19 h)

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