Comportamento disruptivo

O Mundo dos Guarda-Redes 01-03-2019 09:00
Por Roberto Rivelino

Ficou na retina, logo no primeiro jogo da 23ª jornada da Liga, a exibição de Muriel Becker na vitória d’Os Belenenses frente ao Braga (2-0), por uma razão-base: a disrupção que o fez merecer este destaque – falo da atitude de querer comer a jogadas em profundidade, cruzamentos ou bolas aéreas (isto tudo com motivações racionais).

 

Chamo-lhe um comportamento disruptivo porque o que o guarda-redes brasileiro mostrou foi uma atitude positiva para se fazer valer além do afastamento da bola da linha de baliza: querer e mostrar vontade para sair e enfrentar os contextos acima números. Atitude cada vez mais rara na nossa Liga. Vejo-o com alguma frequência na baliza do Portimonense (Ricardo Ferreira), Tondela (Cláudio Ramos), e via-o no Vitória FC (com Cristiano Figueiredo e não com Giorgi Makaridze ou, antes, com Joel Pereira), entre outros exemplos.

 

Com maior ou menor percentagem de acerto, a leitura que Muriel Becker mostrou em Braga nos lances enumerados acabou por ser a diferença maior no jogo – além dos dois golos, claro -, e deixou patente o peso do guarda-redes no jogo da equipa e do adversário – o conhecimento do adversário já predispôs o goleiro a querer abandonar a baliza para intercetar os cruzamentos ou agarrar as bolas aéreas -, e no resultado.

 

Além do treino e da habituação para abordar estes contextos – estímulos no exercício mas também no treino mental (nunca devem ser dissociados, pois não há exercitação técnica ou tática sem se estimular o cognitivo seja na esquematização do treino ou no feedback) -, a própria confiança do guarda-redes é vital para fazer acontecer números de realce – Muriel Becker fez três intervenções, oito delas por roubar bolas fora da linha de baliza (pelo ar e pelo chão) -, mas também colocar a equipa a jogar e a ganhar metros desde a sua própria área – com um guarda-redes predisposto (e eficaz), nestas abordagens, a defesa pode jogar mais subida e desafiar o adversário com outras valências.

 

Defesa da jornada

 

Ricardo Fereira – Portimonense SC 1-1 CD Aves – 43’ – Desvio superior

Avaliação da defesa: 6 (seis)

Critério: A defesa da jornada é escolhida por um critério de pesagem entre execução técnica, interpretação tática e complexidade da tomada de decisão.

 

01 – Momento do passe atrasado de Mama Baldé para Luquinhas (que ganha a frente a Rúben Fernandes); Ricardo Ferreira encontra-se fora da baliza, com os apoios frontais à bola e em posição-base média-baixa.

 

02 – Ricardo Ferreira tenta recuperar a baliza através de deslocamento lateral, sem cruzar apoios; A bola podia ser atacada com outro posicionamento (menos profundo), ou então podiam ser dados passos para encurtar o ângulo de ação de Luquinhas.

 

03 – Luquinhas remata em cima de Ricardo Ferreira, que resvala a bola com a mão esquerda quando se encontrava em corrida e desenquadrado com a baliza; Ao não retirar profundidade beneficiou da ineficácia adversária e fez-se valer da velocidade de execução.


 

 

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