Moniz Pereira faz anos. 4 vezes 20 mais 10 (COM VÍDEO)

Atletismo 11-02-2011 03:00
Por António Simões
Desarmante, por entre sorriso a alargar-se, lançou em blague: «90 anos? Não, o que eu vou fazer é ... 4 x 20 + 10». Mário Moniz Pereira nasceu a 11 de Fevereiro de 1921.


«O meu pai era o representante da FN, que fabricava automóveis e depois passou a fabricar armas e munições. Com um FN foi o primeiro automobilista a dar a Volta a Portugal, tenho fotos disso que são espanto: o carro puxado por juntas de bois para cruzar rios e regatos...»

Por essa altura desatou a organizar no quintal do prédio onde morava, na Rua Gomes Freire, «grandes campeonatos» com os irmãos, os vizinhos. «Na varanda o salto em altura com a corda de estender a roupa, o salto à vara com o cabo de uma vassoura velha. Comprimento saltava-se a partir da rampa da varanda e como não dava para mais em vez do triplo havia duplo-salto. Fazíamos 30 metros à volta da nespereira e jogávamos basquetebol com uma porta a fazer de ângulo com a parede a servir de cesto. E também tínhamos Volta a Portugal em bicicleta no quarto de costura com cromos dos ciclistas na roda da máquina de costura da minha mãe, quem conseguisse mais voltas ganhava.» (No andar de baixo, vivia Mário Soares, futuro PR. «Mais novinho, não entrava nos torneios, ficava a ver-nos de calções, embevecido...»)

Cresceu, foi estudar para o Camões. «Pela liceu fiz a minha primeira prova de atletismo a sério. Andei dias a fio a chatear o reitor para que me inscrevesse no comprimento que ia haver no Campo do Benfica, nas Amoreiras. Fiquei em quinto lugar, com 5,62 metros, nem era mau - e quando lhe comuniquei a classificação, ele, furibundo, desabafou: o menino deu-me trabalho para ir fazer uma porcaria dessas?! Foi nesse instante que eu percebi a importância de ganhar. E ainda mais que só se poderia ganhar com muito trabalho, com muito sacrifício...»

Quando terminou o sétimo ano, a primeira ideia de Moniz Pereira foi a Escola do Exército. «A empresa do meu pai dera para o torto e como se sabia que um oficial aspirante começava logo a receber ordenado, julgo que um conto e duzentos, achei que era óptimo para ajudar à família. Mas para entrar para lá era preciso álgebra e como eu não percebia nada daquilo, acabei por apostar na Faculdade de Ciências a caminho do INEF. Não fora isso e talvez agora eu fosse general na reserva ou então talvez tivesse morrido numa guerra qualquer, sei lá...»

Eternizou-se. E não apenas pela linha que já lhe traçara o destino, o atletismo. Também jogou andebol, basquetebol, futebol, hóquei em patins, ténis de mesa, voleibol. Terminou o curso no INEF, ficou lá como professor 27 anos. Alguém lhe perguntou que sonho tinha, não o escondeu: «não é ter um atleta nos Jogos Olímpicos, é ter um atleta nos Jogos Olímpicos a ganhar a medalha de ouro». E foi isso mesmo que aconteceu. Com Carlos Lopes, em 1984. Tornou-se o Senhor Atletismo, o «maior treinador português de todos os tempos», palavra de filósofo, de Manuel Sérgio. Levado, poético, pelo lema: «Só não há treino se houver terramoto - e se o epicentro for no estádio corre-se para baixo.» (Lopes também foi tricampeão do Mundo e tal como Fernando Mamede e Dionísio Castro recordista mundial. Participou como treinador em 11 JO, 13 de Campeonatos da Europa, 21 do Mundo. E deu ao Sporting 15 Taça dos Campeões europeus, 14 no crosse, uma na pista.)

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