Renovar os ideais de Gandhi

Índia 15-08-2015 20:34
Por António Santos
As celebrações do 68.º aniversário da independência da Índia ficaram ontem marcadas pelas palavras do presidente indiano, Pranab Mukherjee, que pediu um regresso aos ideais democráticos trilhados por Mahatma Gandhi.

«A democracia foi o presente mais importante da nossa constituição», escreveu o presidente, numa mensagem lida, em primeira mão, pelo embaixador da Índia em Lisboa, Jitendra Nath Misra, que abriu as portas de sua casa à comunidade indiana, «transformou a liberdade numa oportunidade viva para os oprimidos e empobrecidos, aboliu costumes e leis arcaicas e garantiu mudança para as mulheres através da educação e do trabalho. As nossas instituições são a infraestruturas deste idealismo. Uma nação que se esquece do idealismo do seu passado perde uma parte vital do seu futuro».

Potência em permanente ascensão

Com 1,3 mil milhões de pessoas, 122 línguas e 1600 dialetos, a Índia é hoje um gigante que se ter erguido de forma discreta mas consistente: só em 2015, a economia indiana cresceu 7,3 por cento, três décimas acima da China. Da mesma forma, um relatório divulgado em julho pela Organização das Nações Unidas (ONU) prevê que a Índia ultrapasse a China como o país mais populoso do mundo em 2022 com, pelo menos, 1,4 mil milhões de habitantes.

Palavras duras mereceram os «terroristas que operam além-fronteiras». Sem se referir especificamente a qualquer país, o presidente indiano prometeu «mão dura» com o terrorismo que é «instrumento» de alguns Estados.

Renovar ou morrer

«A ascensão do nosso país será medida pela força dos nossos valores, mas será determinada também pelo nosso crescimento económico e distribuição equitativa da riqueza», escreveu o presidente. Por outro lado, o chefe de Estado lamentou que «o parlamento se tenha convertido numa arena de combate e não de debate», sublinhando que a democracia indiana «tem que se renovar, sob o risco de morrer».

Essa renovação, explicou o diplomata plenipotenciário a A BOLA, significa inverter o quadro de pobreza que afeta mais de metade da população: «A renovação da democracia de que precisamos é uma vida melhor para o nosso povo. Ao fim de contas, democracia significa oportunidades iguais para uma vida melhor».

«Esse é um direito fundamental plasmando na Constituição da Índia», explicou o embaixador, «Ainda somos um país pobre, mas estamos a melhorar. Como disse Mahatma Gandhi, democracia é limpar as lágrimas dos olhos de todos os indianos, é isso a democracia. E nós somos uma democracia na prática: mais de 60% dos indianos participam nas nossas eleições», recordou Jitendra Nath Misra.

Amigos de Portugal

Numa cerimónia em que não faltou música, gastronomia e dança tradicional, o diplomata plenipotenciário salientou ainda que Portugal é visto pelos indianos como um parceiro indispensável.

«Portugal é um dos nossos melhores amigos na União Europeia e na ONU, ajudando-nos em questões cruciais como conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da União Europeia», concluiu.

Fotografia por: Alexandre Pona/ASF
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