Sócrates anuncia demissão, garante que vai a votos e critica oposição

Política 21:15
Por Redacção
Pouco mais de uma hora passou entre o chumbo do quatro Programa de Estabilidade e Crescimento na Assembleia da República e o anúncio, feito por José Sócrates, da queda do Governo. Na comunicação ao País, o primeiro-ministro demissionário garantiu que vai submeter-se a votos.


«Hoje, todos os partidos da oposição rejeitaram as medidas que o Governo propôs para evitar que Portugal tivesse de recorrer a programa de ajuda externa. Fizeram-no recusando qualquer negociação, qualquer compromiso, qualquer espaço para o debate político. De forma consciente, a oposição retirou ao Governo as condições para Governar. Apresentei ao senhor Presidente da República a demissão do cargo de primeiro-ministro», anunciou José Sócrates na sua primeira intervenção pública depois do chumbo do PEC 4 na Assembleia da República.

O agora demissionário primeiro-ministro disse ter «consciência da seriedade da situação» e frisou a luta travara «para proteger o País da necessidade de recorrer a um programa de ajuda externa». No fundo, disse, «para não ficar Portugal na situação da Grécia ou da Irlanda».

José Sócrates alertou para as «consequências negativas para a imagem, prestígio e reputação nacional», provocadas pela crise política e considerou que «há diferença entre um país que se propõe a resolver e um que pede ajuda externa». O ainda líder do Governo disse que a crise vai ter «consequências negativas para as pessoas, famílias e empresas», uma vez que a eventual entrada do FMI imporá «medidas muito mais duras de austeridade e de contenção».

Dizendo que «até ao ultimo minuto» manteve «total disponibilidade para o diálogo», Sócrates partiu então para as críticas à oposição: «Fiz inúmeros apelos à responsabilidade e pedi a todos para pensarem duas vezes. Lamento ter sido o único a fazer este apelo. O programa que Portugal apresentou colheu o apoio da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e parceiros. Lamento que tenha sido deitado por terra. A razão que explica esta crise é a sofreguidão e impaciência pelo poder».

«Esta crise era evitável, bastava haver espírito de diálogo. Era desnecessária e é inoportuna, surge no pior dos momentos, na véspera de uma cimeira decisiva para Portugal. Pode haver quem pense que obteve uma vitória no jogo político. É uma estreiteza de vistas. Não tem a ver comigo, mas com o País. E hoje estou convencido que o País perdeu», disse José Sócrates, para quem foram «acrescentadas dificuldades políticas às económicas».

De acordo com o ainda primeiro-ministro «esta crise política tem consequências gravíssimas sobre a capacidade que Portugal precisa de ter junto dos mercados financeiros», razão pela qual, acrescentou «os que a provocaram são responsáveis pelas suas consequências».

Sócrates garantiu que o Governo cumprirá as funções que lhe são permitidas até novas eleições e garantiu que vai submeter-se ao sufrágio: «A crise políotica só pode ser decidida pela decisão soberana dos portugueses e eu irei submeter-me a essa decisão. Muita gente me acusou de ser excessivamente voluntarioso ou optimista. O que sei e quero afirmar é que tenho confiança na energia dos portugueses. Vivemos tempos difíceis, mas saberemos vencê-los».

Depois da fazer a sua declaração ao País, Sócrates abandonou a sala sem responder a perguntas dos jornalistas.

(notícia actualizada às 21h38).
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