«É-me igual estar de ‘smoking’ em Belém ou comer à mão com os pretinhos no Senegal»

FUTEBOL 10-10-21 2:0
Por Rogério Azevedo

Numa entrevista de carreira, Luís Norton de Matos, 68 anos a completar em dezembro, atual treinador do Avanca nos distritais, passa em revista a carreira de jogador e treinador e acusa o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de preguiça na análise ao processo de contratação de jogadores congoleses para o Avanca. «Não sou traficante de humanos», diz, irritado. 

- Gostava de começar com uma pequena provocação. Estou a falar com o antigo jogador Norton de Matos, com o treinador Luís Norton de Matos ou já apenas com o pai da atriz Bárbara Norton de Matos?- [risos] Antigamente, as pessoas reconheciam-me na rua e era Norton para aqui e futebol para ali. Agora, quando se aproximam de mim, até pessoas da minha idade, dizem: ‘Tenho de dar-lhe os parabéns pela carreira da sua filha’.

- Os apelidos ajudaram a sua projeção como futebolista ou tiveram peso negativo?- Tiveram os dois lados. Em Coimbra, na Universidade de Direito, tive um chumbo muito estranho numa oral. Ninguém chumbava em Coimbra, numa oral, como jogador da Académica. O Reitor era o célebre professor Queiró e julgo que o meu chumbo acabou por ser um bocado político, pois o meu tio-bisavô estava um bocado relacionado com a esquerda.

- Estudou num colégio particular, a sua família era de classe alta e, por isso, há quem olhe para si como um betinho. É assim mesmo ou é preciso desmistificar um pouco esta ideia?- Para o mundo que eu frequentava, saí um bocado do que era normal para a juventude portuguesa da altura, que era ser fadista, toureiro ou forcado. Muita gente me perguntava: ‘Como é que consegues ser futebolista, é um meio tão esquisito?’. Depois, no futebol, era o menino queque que queria ser jogador e que não precisava de dinheiro. Quando assinei pelo Estoril, andava num colégio no Lumiar e tinha de ir para o Estoril e chegava a casa à meia-noite. E só pedi uma coisa: passe de primeira classe para o comboio. Mas só fui uma vez, porque os meus outros colegas vinham em segunda classe e eu não era capaz de ir em primeira e eles em segunda. Para mim, é igual estar de smoking com o doutor Mário Soares em Belém ou estar a comer à mão com os pretinhos no Senegal.

- Era um adolescente rebelde? 

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