«A impressão que tenho é que nem todos os jogadores que defendem a Seleção são tratados da mesma forma»

ESPANHA 14-02-20 9:1
Por Pereira Ramos, correspondente de A BOLA em Espanha

Em abril de 2019, em Valladolid, Antunes contraiu a «lesão mais temida pelos jogadores», uma rotura dos ligamentos cruzados do joelho direito. Oito meses depois voltou aos relvados em Getafe frente ao... Valladolid. Em entrevista a A BOLA, admite que gostava de ter tido mais atenção do clube e da Federação Portuguesa de Futebol.

Que recordações guarda daquela tarde de 14 de abril de 2019, quando se lesionou com gravidade?

Foi num lance em que estava sozinho, junto à linha lateral, ia fazer um passe em profundidade mas, quando cheguei à bola, os pitões da bota enterraram-se na relva e a perna direita ficou presa. Notei logo uma dor forte e um barulho no joelho. Era uma rotura dos ligamentos cruzados, a lesão mais temida pelos futebolistas.

Muitas lágrimas durante a recuperação?

De dor, impotência e desespero, quando me lesionei, e de emoção no dia em que, oito meses mais tarde, voltei a jogar uns minutos na liga. Foi como se tivesse entrado pela primeira vez num campo de futebol, como se fosse a minha estreia como profissional, como se fosse uma criança a voltar ao seu parque preferido ou a estar de novo com o pai que há muito não via, uma emoção muito forte só comparável à que sinto quando visto a camisola da Seleção, seja qual for a importância do jogo da equipa nacional, entro sempre com lágrimas nos olhos. Consegui o meu objetivo de regressar em metade do tempo que se pensava, a previsão era de que estaria um ano em recuperação, mas aos cinco meses já estava a trabalhar no campo, embora o clube não o divulgasse.

Nessa fase que apoios julga que deveria ter tido e que lhe faltaram?

Talvez esperasse um pouco mais por parte do clube, a verdade é que permitiram que fosse tratar-me em Portugal mas, depois, nos três meses em que lá estive, não recebi uma única chamada. Depois de dois anos a defender como defendi a camisola do Getafe, de ter ficado na história por ter ajudado o clube a entrar na Liga Europa e de me ter lesionado ao seu serviço, julgo que talvez tivesse merecido um pouco mais de atenção.

A Federação Portuguesa de Futebol interessou-se por si?

Não muito… Curiosamente, quando estava em tratamento, fui fazer recuperação à piscina do hotel de Espinho onde estava a Seleção que jogava no Porto para a Taça das Confederações. Tive então uma pequena conversa com um adjunto de Fernando Santos, perguntou-me como me sentia, como estava a decorrer o processo, mas pouco mais que isso. A impressão que tenho é que nem todos os jogadores que defendem a Seleção são tratados da mesma forma e isso é mau, se defendes a camisola do teu país uma ou cem vezes, tens direito a ser considerado de maneira idêntica. Essas diferenças notam-se, sobretudo, nas redes sociais, são pequenas coisas às quais não dou importância, mas que permitem ver que não se dá a mesma atenção a todos os jogadores que foram internacionais. Por exemplo, não felicitam uns no dia do aniversário, enquanto outros sim… É claro que o Ronaldo é o Ronaldo, merece ser diferenciado, mas todos defendemos a Seleção com todas as nossas forças.

Leia a entrevista na íntegra na edição impressa ou na edição digital de A BOLA