Príncipe e Brasil acolhem celebração dos 100 anos da comprovação da Teoria da Relatividade

São Tomé e Príncipe 25-05-2019 15:30
Por Lusa

A ilha do Príncipe e Sobral (Brasil) são, nos próximos dias, os palcos mundiais da celebração dos 100 anos da comprovação da Teoria da Relatividade Geral de Einstein, uma «revolução científica» e um momento histórico no pós-Primeira Guerra Mundial.

O eclipse solar ocorrido em 29 de maio de 1919 permitiu a duas equipas de astrónomos britânicos, uma na ilha são-tomense do Príncipe – chefiada por Arthur Eddington - e outra em Sobral (Ceará) – liderada por Andrew Crommelin -, a hipótese do encurvamento gravitacional da luz, formulada quatro anos antes pelo físico alemão Einstein.

 

«A comprovação da Teoria da Relatividade Geral de Einstein, em 1919, mudou a visão que temos do Universo, em particular o conceito de gravitação, entendido de forma inovadora por Einstein, como uma deformação do espaço-tempo. [Na altura,] há mais de dois séculos que estava vigente a teoria de Newton e esta comprovação mostrou que, em determinadas escalas do universo, essa não seria válida, mas sim a [Teoria da Relatividade] de Einstein», disse à Lusa a coordenadora das celebrações na ilha do Príncipe, Joana Latas.

 

Esse momento foi ainda marcante, em termos históricos, referiu a professora de Matemática. «Há 100 anos o mundo estava no pós-primeira Grande Guerra [1914-1918]. Esta expedição foi feita por britânicos e ficou comprovada uma teoria de um alemão, e por isso oriundos de dois países inimigos durante a guerra», comentou, acrescentando que «a aceitação da Teoria da Relatividade Geral na comunidade científica acabou por ser muito gradual».

 

Em São Tomé e Príncipe, as celebrações do centenário arrancam esta noite, com uma observação noturna na capital são-tomense.

 

As iniciativas decorrem no Príncipe até dia 29, quando será inaugurado o Espaço Ciência Sundy, na roça com o mesmo nome – onde ocorreu a observação do eclipse –, com a presença do Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, e do chefe de Estado de São Tomé e Príncipe, Evaristo Carvalho.

 

O Espaço, disse Joana Latas, pretende «valorizar e reconhecer a herança científica, cultural e histórica da ilha do Príncipe», disponibilizando uma exposição interativa sobre o fenómeno.

 

A roça Sundy, hoje um espaço turístico, acolherá também, no futuro, o Planetário, que “será o ‘ex-libris’ deste espaço temático”, além de preservar a memória do legado industrial.

 

Ao longo dos próximos dias, a ilha são-tomense acolhe dezenas de investigadores de todo o mundo, que vão participar em palestras sobre vários temas, como a participação das “Mulheres na Ciência” ou a “Astronomia, África e Agenda 2030” (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU), e encontros como o do Grupo Lusófono de Astronomia para o Desenvolvimento (PLOAD, na sigla em inglês), com a participação dos representantes de Portugal, Moçambique, Cabo Verde, Brasil e São Tomé e Príncipe.

 

Os eventos são o culminar de um trabalho que começou em 2013, por iniciativa do Governo da Região Autónoma do Príncipe e várias organizações internacionais, envolvendo os alunos e a população da ilha.

 

«A celebração teve sempre como premissa o envolvimento da população do Príncipe», referiu a responsável, que afirmou que o centenário permite “evocar um orgulho que poderia estar mais adormecido”, além de garantir uma projeção internacional.

A cidade brasileira do Sobral acolhe, entre terça e quinta-feira, palestras, mostras sobre Astronomia, Astrofísica, História do eclipse de 1919, Relatividade Geral e Cosmologia, assim como o lançamento de livros sobre o tema, numa parceria entre a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a Prefeitura de Sobral e o Governo do estado do Ceará.

 

Durante os três dias, o Centro de Convenções da cidade receberá ainda o Encontro Internacional Centenário do Eclipse de Sobral.

 

No dia 29, entre outros eventos, será realizada, no Theatro São João, a 'Global Opera in Science' com transmissão simultânea em Sobral, Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, Ilha do Príncipe e Noruega, e que conta com a participação de alunos dos dois países.

 

Será ainda reinaugurado o Museu do Eclipse, com apresentação da Orquestra da Universidade Federal do Ceará.

O centenário do eclipse é ainda tema de uma exposição presente na Câmara dos Deputados, em Brasília, inaugurada em 14 deste mês, e que permanecerá aberta até 15 de junho.

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