Human Rights Watch quer investigação a abusos policiais em detenção de ativista

Angola 17-05-2019 15:25
Por Lusa

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) apelou hoje às autoridades angolanas para que investiguem suspeitas de abusos policiais na detenção de um ativista do "Grupo dos 17" por alegados insultos ao Presidente.

 

De acordo com a organização, a 10 de maio, em Luanda, seis polícias à paisana enfiaram à força o ativista político Hitler “Samussuku” Tshikonde, elemento do que ficou conhecido como "Grupo dos 17", num carro não identificado, tendo-o o mantido preso durante 72 horas sem acusação ou acesso a um advogado.

 

O jovem foi libertado a 13 de maio e informado de que é alvo de uma investigação por ter insultado o Presidente da República, João Lourenço, num vídeo colocado nas redes sociais.

 

"Os maus tratados da polícia angolana a ‘Samussuku’ Tshikonde foram ilegais e um sinal de que o governo não tolerará dissidências pacíficas. A conduta dos polícias deve ser investigada e os envolvidos responsabilizados", disse Ida Sawyer, subdiretora para África da Human Rights Watch.

 

Ida Sawyer defendeu que a "polícia angolana deve parar de tratar os ativistas pacíficos como ameaças à segurança do Estado".

 

"Respeitar o direito à liberdade de expressão é um passo importante na construção de uma democracia forte e de um Estado de direito", sublinhou.

 

Tshikonde é um dos 17 ativistas do grupo acusado em março de 2016 de planear uma rebelião contra o governo do então Presidente José Eduardo Dos Santos.

 

Condenados a penas entre os dois e os oito anos de prisão, os ativistas foram libertados em junho de 2016 depois de o Supremo Tribunal ter anulado as condenações.

 

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